Houve entrevista com Maria João Avillez. (Enfim, uma entrevista com uma pessoa civilizada...) E terá entendido o entrevistado, Passos Coelho, ser esse o momento para anunciar ao mundo ainda não sucumbira, acorrentado nos calhaus, às bicadas dos abutres.
Não creio tenha sido feliz. Prometeu traz consigo a esperança aos homens, mas nunca sob a fórmula "se as coisas correrem mal eu cá estarei". Está imediatamente a pôr em xeque o seu correligionário Montenegro e todos sabemos que estas minudências políticas não se perdoam, e cavam fossos inultrapassáveis. Nem mesmo Montenegro merece, diga-se em abono da verdade: mancando um pouco, talvez, lá vai fazendo qualquer coisita, seguramente mais afoito do que os seus antecessores no Executivo e no Parlamento. Há em Montenegro um claro propósito reformista (e o efeito das reformas, em geral, não é imediatamente sentido), mesmo com as adversidades do mapa parlamentar.
O que eventualmente será mais palpável na entrevista de Passos Coelho é o mal que se abateu sobre a Humanidade depois do pândego Costa ter aberto a caixa de Pandora, após ter sido derrotado - vergonhosamente derrotado! - pela Direita tão desgastada pela inefável Troika. Em contas rápidas, o vendaval woke, a extinção do SEF, as centenas de milhares de imigrantes a toque de caixa, as engenharias sociais de deplorável qualidade... e Passos Coelho proclamando-se mais perto do Chega do que do PS - tal a desconfiança e o trauma que o marcou.
Será importante não ler nestas linhas qualquer pânico face à ameaça da extrema-direita, aliás inexistente. Nestas linhas deve ler-se, somente, o descrédito na verborreia que ontem esbracejava pelo Benfica e hoje contra os ciganos e afins. E que, bem vistas as coisas, quer apenas subir ao poleiro, razão porque Passos Coelho se engana profundamente quando alvitra acordos parlamentares com o Chega. Mas é essa a sua ideia. E todos compreendemos agora o frenesim e a constância do seu áulico Miguel Morgado nas televisões, insistindo precisamente na mesma tecla.
Em suma: Passos deu um passo em falso, na minha modesta opinião. E Montenegro decerto já se deu conta, a conversa com Carneiro é, apesar de tudo, mais cortês do que com Ventura.
Está imediatamente a pôr em cheque o seu correligionário Montenegro
ResponderEliminarAntes em cheque que em xeque, sempre fica alguma coisa no bolso...
Correcção feita.
EliminarObrigado pelo reparo
"as centenas de milhares de imigrantes" que vieram para cá trabalhar e estão a trabalhar, dessa forma contribuindo para aumentar o PIB. Será que seria preferível que não tivessem vindo???
ResponderEliminarContribuíram tanto para o PIB, que até o (PIB) per capita, desceu.
EliminarSim, o PIB per capita desceu, mas o PIB cresceu. E o PIB (não o PIB per capita) é que é essencial para pagar a dívida...
EliminarQualquer acordo com o "cordato" e "manso" (sem ofensa) Carneiro, apenas servirá para mudar o necessário para que o status quo se mantenha. O que, na verdade, é o que almeja não só a "nomenklatura", mas toda a élite e demais pessoas bem-pensantes e esclarecidas da sociedade. E tal desiderato está mais ao alcance que nunca. Ventura, no seu afã justiceiro, consegue, diria, capturar o voto de protesto. Ficando o PS de Carneiro (?) em segundo, estão criadas as condições para um formalmente correcto, decente e bem-pensante bloco central, de Salvação Nacional, diria até.
ResponderEliminarwoke, não wook, caro João-Afonso.
ResponderEliminarCorrecção feita.
EliminarObrigado pelo reparo.
"tal a desconfiança e o trauma que o marcou."
ResponderEliminarEsta frase diz mais sobre o autor do que sobre o visado. Porque é que tal não pode ser convicção do Passos?
Neste momento na ultima sondagem DN/Aximage Ventura está na frente quer do PS quer do PSD .
A ser verdade e a manter-se o PSD será o aliado junior.
O problema do Chega não é o que defende. Estamos em democracia, era o que mais faltava criticar um partido/pessoa por falar em público. O problema é ser um catavento que segue a opinião pública (é a favor das coisas boas e contra as más). Funciona nas sondagens quando se está na oposição, falha clamorosamente quando se está no governo.
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ResponderEliminarO que é preciso ser feito é que as bases do PSD têm de tirar o seu apoio ao socialista Montenegro.
Aliás, antes o PSD teve o socialista Rui Rio e suspeito que deva haver muito mais socialistas infiltrados.
Quanto o que é preciso ser feito no país é simples, fácil e barato que é o de implementar, rapidamente e em força, reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.
Coitado do Passos Coelho, que ainda não recuperou do trauma que sofreu com as habilidades políticas do Costa. Acho que precisa de apoio e de afecto, não de críticas tão assanhadas como as expressas neste post. Haja compreensão pelo próximo. E piedade.
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