segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Programa para paisagens ao abandono

Há muito tempo, António Costa resolveu criar uma estrutura de missão para o interior, ou coisa que o valha, que produziu um extenso programa de intervenções para revitalizar o interior (incluía, por exemplo, deslocações regulares do Teatro Nacional e coisas que tais, se não me engano).


Eu preferia que o Estado fosse sério na discussão sobre a gestão de paisagens ao abandono, que estão na base do padrão de fogo que conhecemos e recusamos.


Para ser sério, convém partir de diagnósticos sérios: estas paisagens estão ao abandono, ou sub-geridas, porque as economias que as deveriam suportar não existem e, mais grave, não é possível refazer as economias que as geriram antes.


De borla, eu ofereço ao Governo um programa de intervenção sintético (eu sei que não é tão sexy como o Programa de Transformação da Paisagem e coisas que tais, mas tem a virtude de não pretender ser mais que o que é e ser barato).


Vou separar isto em três ou quatro eixos de intervenção do Estado central porque ninguém liga a coisas em que não se fale da visão, dos objectivos estratégicos, dos eixos de intervenção e das acções a executar.


Dentro das funções essenciais do Estado, o que me parece fundamental é responder à situação de roubo generalizado que se vive no mundo rural, por isso a proposta é simples.


Aumento do investimento em segurança de pessoas e bens, em especial reforço policial em número de agentes, e em extensão da intervenção fora de zonas urbanas.


Dentro das funções económicas que o Estado pode assumir por opção política, há dois aspectos que me parecem úteis, um, assegurar a economia da gestão florestal, ou outro, assegurar a mobilidade real das pessoas.


Ou seja, pagar gestão de combustíveis em terrenos não agrícolas e assegurar o transporte a pedido


Há uma questão sistematicamente desvalorizada que diz respeito ao papel negativo do Estado na sociedade e na economia.


As propostas para responder a essa preocupação consistem em eliminar a regulamentação em todas as cadeias curtas de produção, isto é, toda a produção que não sofre mais de duas transações até ao consumidor final, incluindo o abate e venda de animais, com ou sem transformação pelo produtor, eliminar regulamentação de prestação de serviços de pequena escala (campos de férias, actividades de animação turística, alojamento turístico, trabalhos florestais, agrícolas ou de construção e reparação, etc.), eliminar os custos de transacção de propriedades abaixo de valor definido e eliminar obrigações de gestão de combustíveis e outras obrigações em nome do benefício de terceiros.


Por fim, admitindo que ter gente e gerir paisagens em determinadas regiões é socialmente benéfico, o Estado deveria abster-se de colectar impostos em algumas circunstâncias para permitir o desenvolvimento de pequenas economias multifuncionais.


Isentar de impostos pequenos rendimentos e isentar de impostos actividades de pequena escala, incluindo aluguer de casas, equipamentos, pequenas transacções, etc..


A probabilidade de um programa deste tipo ter um efeito relevante na gestão das paisagens ao abandono é baixa, mas tem duas grandes virtudes: não custou nada a fazer este programa aos contribuintes e todos os outros programas que tenho visto não têm tido, nem se prevê que tenham, melhores resultados.


E, neste caso, ao menos é barato tentar.

24 comentários:

  1. «os homens são vítimas das políticas da sua época». assim acontece atualmente para desgraça da maioria. como dizia Camilo o mundo «deu em droga»

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  2. Era serviço cívico para apagar fogos ... 

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  3. O autor parece convencido que ao Estado importa a racionalidade das coisas, a lógica do sentido, ou a simples e elementar eficiência.


    Pois bem pode tirar o cavalo da chuva, pois a ineficácia, o contra senso, o cidadão desarmado perante um Estado que tem tudo do seu lado e tudo pode; dá penacho a muita gente e de comer a ainda mais.


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  4. Obrigado por explicar ao autor de que é que ele está convencido, sem essa ajuda, o autor nunca descobriria o que pensa.

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  5. Afinal o Estado faz, paga, etc...


    Concordo com a análise,  devia apresentá-la a quem tem responsabilidades legislativas e executivas.

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  6. não custou nada a fazer este programa aos contribuintes


    Isentar de impostos algumas atividades custa dinheiro aos outros contribuintes.

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  7. Isentar de reguamentação "o abate e venda de animais" parece-me perigoso. Com a saúde não se brinca.

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  8. Alerta marxista aqui.
    Um veterinário para cada português.  

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  9. Isso seria executar o programa, agora fazê-lo, fi-lo de borla

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  10. Tem aqui uma síntese razoável em Inglês e existem algumas experiências, penso que não muito positivas, em Portugal
    What does transport on-demand mean? | Meep

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  11. Não acredito. Deve ser o seu sentido de humor que hoje está em Dia Não .

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  12. E no entanto a dúvida exposta em 14:59 tem toda a razão de ser.


    Mesmo na mais capitalista das economias, não acredito que se abatam animais e vendam os derivados sem Visto Sanitário de Autoridade Pública. 


    Economia Capitalista de Países desenvolvidos, é óbvio.

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  13. Vê-se mesmo que é um lisboa floco de neve. Nunca comeu um frango de churrasco ou uma galinha corada mortos na vespera no quintal. Nem nunca participou numa matança de porco (q' horror ... matar animais ...)
    Vida triste a destes lisboas assépticos ... 

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  14. E oferecer transportes gratuitos para alguns... residentes em grandes cidades... quem é que paga? 

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  15. Isto está fora de contexto mas mesmo assim.


    Acabo de saber da hipótese estapafúrdia, parece-me, de uma vítima ter de pagar o seu salvamento.


    Num País onde os Impostos são o que são e o Turismo tem as pretensões tem, dizer que os custos de socorro e salvamento não estão cobertos, parece conversa de "artista".

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  16. Engana-se. O meu avô matava porcos em sua casa. Comi na minha infância muitos rojões de porco acabado de matar.
    E a minha mãe degolava perus em casa com as suas próprias mãos, antes de os depenar e assar.

    Daí até achar que essa é uma atividade recomendável vai uma grande distância.

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  17. Obrigado pela generosidade.

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  18. Não é obrigado a saber, pois parece-me ser você um "floco Deneuve", mas é proibido abater porcos, galináceos, avestruzes, etc., em casa.


    Além disso vivo a 1000 km e a uma hora e meia de vôo de Lisboa.


    E por higiene mental paremos por aqui.

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  19. Deve ter ficado afetado pelos porcos.do avô com certeza ...

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  20. Caro lisboa 1000 Km, um floco de neve lisboa, é sempre um lisboa floco. Não é a distância que muda isso. Além disso, existem bastantes ubicações por essa europa fora, onde a higine mental deixa muito a desejar. Aqui na Península, precisamente a 1000Km, hora e meia de voo, há um local muito pouco higiénico do ponto de vista mental ... 

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