"E para além disso o Atendimento e Assistência são, por regra mais competentes, atenciosos e humanizados, que no Privado. Nestes, os Privados, há uma frieza que causa arrepios. Logo na recepção o olho "clínico" da recepcionista, avalia o cliente, mede-lhe capacidade da bolsa, e em função disso, doseia cuidadosamente a qualidade do atendimento. Quando o plafond do Seguro é atingido acaba-se o tratamento que isto não são as Carmelitas Descalças e o senhor faça o favor de ir pedir sopa para outro lado. Eu cá se fosse o Gov. Separava com muito cuidadinho as Águas e cortava pela raiz; Se prefere o Privado, nada a obstar. Mas quando esgotar o Plafond da apólicezinha, o amigo está por sua conta e esqueça o Publico".
Este comentário, muito comum, é pura sinalização de virtude e não tem qualquer relação com a realidade, nem utilidade para a discussão.
Comecemos pelo mais evidente: para ter este nível de conhecimento sobre o atendimento de saúde em instituições privadas (que, convém não esquecer, incluem as misericórdias) é preciso ser um cliente assíduo, o que é incompatível com a ideia de que não se frequenta os privados porque as instituições estatais é que são boas.
Poder-se-ia pensar que se trata apenas de um hipócrita que nem sequer admite que quer privados quer estatais são muito diferentes entre si, não sendo possível caracterizar o tipo de atendimento em função da propriedades dos meios de produção.
Mas não, é mesmo alguém a inventar tanto que nem sequer imagina que uma grande parte das vezes pode entrar e sair das instituições privadas que lhes prestam o serviço sem qualquer contacto com nenhum recepcionista.
Isto são apenas palas nos olhos, a indigência intelectual vem depois.
Uma pessoa qualquer paga os seus impostos e, com base neles, tem acesso a um serviço gratuito.
No entanto, por razões que só ao próprio dizem respeito, resolve pagar para ter o mesmo serviço noutro lado qualquer.
O que isso quer dizer é que essa pessoa está a pagar (duas vezes, uma nos impostos, outra na utilização) para aliviar a pressão sobre os meios do Estado, o que é bom para os contribuintes (que têm de pagar menos) e para os utilizadores (que acedem a serviços menos pressionados).
Pois bem, o simpático comentador quer cortar o assunto pela raiz, mas não explica porquê, visto que se alguém paga para ser atendido fora das instituições estatais, está de facto a criar melhores condições de funcionamento para as instituições do Estado.
O castigo sugerido baseia-se em que princípio moral ou de gestão?
Em princípios de gestão não é com certeza, o Estado, os contribuintes e os utilizadores dos serviços estatais beneficiam com essa opção e ninguém tem nada com as opções de quem resolve pagar para ter acesso a um serviço que lhe é fornecido pelo Estado, pago pelos seus impostos, sim, mas sem pagamento pela utilização.
Será pois uma questão moral.
O que está em causa, para o simpático comentador, é o castigo que merecem todos os que têm recursos suficientes para exercer a sua liberdade de escolha, em vez de contribuírem para um Estado com progressivamente mais poder sobre a sociedade.
Ou dito de outra maneira, pretende-se substituir a revolução pela censura moral para chegar ao mesmo sítio: a apropriação colectiva dos meios de produção.
Caro Henrique Pereira dos Santos
ResponderEliminarAcontece que não é nada disso, creia que não há um pingo de censura moral e essa de me achar Comunista, francamente é forçar um pouco a nota.
E também não sou cliente assíduo ou sequer ocasional de Hospitais Privados.
Acontece apenas, e acho que tenho o direito de pensar assim, certas áreas devem estar na esfera Pública e outras só é bom que sejam de iniciativa Privada.
Pareceu-me evidente ser, por exemplo de elementar bom senso que a Defesa Nacional, as Polícias, Judiciária, de Segurança Pública e Fiscal, sejam Publicas.
Bem como a administração da Justiça e já agora o Sistema Prisional, a Proteção Civil e Corporações de Bombeiros.
E o Sistema Nacional de Saúde, uma das Grandes Realizações do Portugal pós 74.
Claro que se pode imaginar tudo isto no Privado.
Acontece só que no Privado aceita-se como normal que o profissional trabalhe aquilo que a remuneração paga.
Sinceramente acredito, e acredito porque vi, os Profissionais no Público esforçam-se e dão muito para além do que recebem.
Quero ressalvar uma coisa já agora; a minha experiência do Privado não vai além da zona de atendimento e recepção, mas como se dizia antes, "pela montra se vê o que vai no armazém".
Seja como for, e creio já o ter dito antes, nada a obstar que quem quiser se fique pelo Privado mantendo-se claro está o Publico para quem o preferir.
Então se as pessoas não podem usar o publico também não pagam impostos para o publico...
ResponderEliminarO mais espantoso é que não referiu a ADSE, um seguro precisamente para os funcionários públicos irem aos privados porque será?
"
ResponderEliminarO que pensa eu não sei nem é objecto do post, eu só comentei o que escreveu no comentário que transcrevi.
ResponderEliminarConfirma que não faz ideia de como funcionam as instituições privadas (que, aliás, são todas diferentes entre si), o que não o impediu de fazer um comentário a partir de uma descrição fantasiosa que pretendia limitar moralmente a discussão, moldando-a aos seus preconceitos.
O que não explica é por que razão alguém deve ser castigado por ter um comportamento diferente do seu e que beneficia todos (na sua opinião, prejudica o próprio, mas isso não é consigo, é com cada um).
Está difícil de explicar que enquanto o plafond não acaba, os sistemas estatais estão a ser aliviados de uma pressão adicional, ou seja, todos beneficiam dos serviços prestados pelos privados (e beneficiam duas vezes se forem prestados de forma mais eficiente).
ResponderEliminarMais um estatista que deve comentar a partir da Venezuela (aproveitar enquanto os EUA não acabam lá com o socialismo).
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ResponderEliminarEu pregunto como é possivel fazer-se tantos comentários idiotas sobre os serviços de saúde públicos e privados?
ResponderEliminarDá-me a ideia que são feitos a partir de pressupostos ideológicos e não de quem tem a necessidade de receber cuidados de saúde. Se tivessem percebiam que a rapidez e eficiencia são fundamentais para quem está doente a simpatia não chega quando é precedida de meses de espera por uma consulta de médico de familia e depois(se for preciso) mais meses de espera por médicos de especialidade e se for necessária intervenção cirúrgica mais uns anos a aguentar a não ser que se tenha acesso por aquelas portas que deviam estar fechadas.Eu frequento o privado e nunca notei faltas de simpatia aliás uma parte dos médicos trabalha nos dois lados.
Ainda à pouco tempo fui ao médico de família e ele concluiu que preciso de fazer uma consulta de especialidade mas logo me disse que no hospital público aqui da zona já não estavam a fazer marcações para essa especialidade devido à muita procura.
Toda a gente percebe que qualquer serviço tem de ser pago e no SNS também se paga só que aqui são os impostos dos contribuintes a suportar os custos é natural que nos seguros privados haja plafons pois não têm acesso à teta da A.Tributária
É patético que ainda haja gente que não percebe que quanto mais pessoas forem aos serviços privados mais se aliviam os serviços publicos de saúde e então essa de querer castigar quem tem seguros privados e ajuda a pagar o SNS através dos impostos é de uma estupidez completa.
«O termo Estado provém do latim status significando, de forma literal, estar firme. Segundo definição de Fernando de Azevedo, o referido termo pode ser definido como “fixo, imóvel, decidido, regular e constante”2 ...
ResponderEliminara indigência em Portugal exerce-se a todos os níveis sem fio de prumo.
LE VOYAGE DE MONSIEUR HERRIOT Un épisode de la Grande Famine en Ukraine
ResponderEliminarCarlo Rovelli LA REALIDAD NO ES LO QUE PARECE
ResponderEliminarTalvez não tenha reparado, mas milhões de Portugueses passar a ter acesso a assistência médica e cuidados de saúde, graças á instituição do Serviço Nacional de Saúde.
ResponderEliminarClaro que é peta. Quando era garoto tratei dos dentes, aquando da muda da dentição de leite para a definitiva (1973), nos serviços da Caixa de Previdência. E os meus pais não pagaram ...
ResponderEliminarAqui o nosso Anónimo deve pensar que antes de 25A de 1974 Portugal vivia ainda no Paleolítico.
Os Impostos, caro lucklucky são gerais, depois consignados pelo estado aos fins tidos por convenientes.
ResponderEliminarEm o cidadão não concordando, expressa isso através do voto nas eleições subsequentes.
Está errado ? Quem ?
ResponderEliminarQue amáveis que os privados são ao aliviar o SNS.
ResponderEliminarDeixemos a hipocrisia, claro que sempre que alguém usa o privado é menos utilização do SNS, mas os privados estão fazer o seu papel que é exercer a sua atividade como qualquer outra instituição, e o que menos lhes importa é o alivio do SNS.
Quanto ao mais eficiente, muita coisa teria de ser analisada para além dos numeros, como por exemplo o tipo de patologias atendidas e em que numero.
Afinal sempre que os problemas escapam à "chapa 5" lá vão as pessoas parar ao publico.
Também uso o privado por uma questão de rapidez de atendimento e felizmente não tive até à data um caso complicado, sabendo de antemão que se esse dia ocorrer a rapidez fica para segundo plano e terei de recorrer ao publico.
O resto é conversa da treta.
É completamente irrelevante o que leva os privados a fazer isto ou aquilo, o facto é que a sua actividade tem um efeito de diminuição da pressão nos serviços estatais, ou seja, é bom para todos.
ResponderEliminarTem razão. Se a agricultura, pescas e pecuária, assim como o vestuário e calçado fossem fornecidos por um servico nacional de alimenração e vestuário, SNAV, andavámos todos bem nutridos e vestidos. Assim como em Cuba ou nos tempos do paraíso soviético.
ResponderEliminarJá nem as penas lhe faltam...
Em Portugal falta uma séria discussão sobre serviço públicos e privados. Antes sequer de discutir a natureza do serviço público, por exemplo o sns ou seg social de hoje nunca poderão seguir os moldes de 1985. Seria preciso assumir o que deve estar sob alçada do Estado, o que deve ser exclusivamente privado, o que pode funcionar com Estado e Privado como concorrentes, e neste âmbito qual deve ser o papel regulador, pois será injusto uma instituição estatal regular uma actividade na qual é participante.
ResponderEliminarNada deve estar fora de discussão, por exemplo nalguns países as prisões são geridas por privados, noutros fala-se do perigo de sectores como energia ou internet estarem sob alçada privada.
E por fim, se o Estado deve fornecer um serviço, ou subcontratá-lo, sendo que ambos os modelos têm prós e contras, e nem todos os sectores de actividade são intrinsecamente lucrativos. Deve definir-se o que é, ou sequer existe, o bem comum, ou bem público, e de que modo deve ser gerido e protegido.
E claro, colocar o dedo na ferida dos dois países laborais, uns andam a discutir pacotes laborais e despedimentos, outros fazem greve por causa de pacotes laborais que nem os atingem...
É evidente que antes do 25 ABR Portugal era já uma economia em franco desenvolvimento.
ResponderEliminarAliás foi esse desenvolvimento a base e o alicerce que permitiu a fase seguinte.
Não é desprestígio nenhum admiti-lo e também ao contrário de certa esquerda, isso não me causa engulhos.
Aliás não vejo que do que escrevi se possam extrair as conclusões a que chega.
Ora nem mais.
ResponderEliminarParabéns pela limpidez e clareza da exposição.
Acontece que nada do escrito permite esse tipo de conclusões.
ResponderEliminarInteiramente de acordo.
ResponderEliminarSeria na verdade muito útil se se discutisse de modo franco e aberto o tema Público/Privado a nível Nacional.
Pelos Políticos como representantes da Nação mas sem excluir a participação popular directa.
Falei de uma situação geral e você responde com um caso particular.
ResponderEliminarClaro que havia uma parcela da Sociedade (e felicito-o por a ela pertencer), que tinha acesso a melhores cuidados de saúde que a generalidade da população.
A impressão que tenho é que o "simpático comentador" embirra com o facto de os "Privados" só se interessaram verdadeiramente e em força pela coisa, quando viram que era o Estado a pagar a conta.
ResponderEliminarPorque no tempo em que Deus Nosso Senhor, dava a doença conforme a bolsa, sendo tão poucas as bolsas, eram também poucas as doenças.
Quando o Estado entrou na coisa a bolsa cresceu tipo maná a cair das alturas.
Logo apareceram do nada os "Privados" e começou a corrida
á Alpista
Desde a mais remota antiguidade, as Sociedades Humanas organizaram-se, de diferentes formas.
ResponderEliminarOs modelos variaram em função de geografias, recursos disponíveis, vizinhança, etc., sempre com vista á obtenção do maior bem, no dizer de Aristóteles; a Felicidade.
No Ocidente tanto o caminho como o resultado foi substancialmente diferentes.
E não obstante algumas fraquezas, com resultados bem mais positivos.
Os Chineses estão a experimentar, com notável sucesso, um caminho diferente.
Tudo isto, parece-me, deve ser visto com olhar mais técnico que ideológico.
Vendo bem trata-se apenas de caminhos para o mesmo fim.