quarta-feira, 27 de agosto de 2025

A desinformação promovida por quem devia ser diferente

"Mega-incêndios em Portugal aconteceram sobretudo em três anos e têm como principal causa o fogo posto".


Este é o título em destaque no Observador agora, às sete e picos do dia 27 de Agosto e é, deixem-me escrevê-lo com todas as letras, mentira.


Repito, o Observador tem como principal título uma evidente mentira.


Compreendo que a jornalista não tenha consciência da mentira porque, não sabendo muito do assunto sobre que escreve, não sabe que incendiarismo, mesmo quando crime, não é sinónimo de fogo posto (por exemplo, se fizer um churrasco e deixar escapar o fogo, cabe na definição de incendiarismo, mas não é fogo posto).


Já nem estou a falar do facto do número de ignições não ter qualquer relevância na área ardida, para o fogo maior registado no país, o de Arganil, bastou uma ignição que, por acaso, até terá resultado de uma trovoada (até podia ser fogo posto, é irrelevante, o que é relevante é saber por que razão um fogo se mantém activo mais de dez dias e queima mais de sessenta mil hectares, antes de se extinguir).


O que me interessa é realçar esta característica do jornalismo: o Observador dá voz aos melhores especialistas do assunto que existem no país, ouve-os calma e extensamente, explicam demorada e pormenorizadamente o problema e, depois, na sua redacção, há alguém que acha inútil recorrer a toda a informação recolhida, acha inútil usar os contactos que o Observador tem de dezenas de pessoas que sabem do assunto, fazendo uma peça que reflecte as convicções do jornalista, diga o que disser quem sabe incomparavelmente mais do assunto.


Não é uma crítica ao Observador, bem pelo contrário, até é dos mais equilibrados, é uma crítica à arrogância do jornalismo actual, que se recusa a aceitar que, sendo os jornalistas generalistas, em assuntos complexos será avisado recorrer a quem sabe para evitar estar a produzir peças jornalísticas ao nível de qualquer comentário num táxi ou ao nível de André Ventura.

10 comentários:

  1. Lamento discordar mas é uma crítica ao Observador. E merecida. Acima da jornalista - passe o paternalismo de a imaginar uma típica cabeça oca - haverá um editor e, suponho eu, em chefe de redacção e director executivo que verão os títulos das edições.

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  2. ontem na CNN Hugo Soares descascou delicadamente numa entrevistadora altamente competente no assunto fogos.
    na RTP3 o Ministro da Coesão disse ao entrevistador que as tvs só mostravam o interior nos fogos e na Volta a Portugal.
    haja Alguém que que escreva ' carta à Berta ' a pedir o seu encerramento.
    'não à paxorra!' 

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  3. no final dos + de 100 incendiários só 30 mereceram pildra.
    tal como em 2017 a culpa é do raio ...
    o bombeiro Ventura apaga fogo e levanta 'um papo seco de 3 arames'.

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  4. Caro, Henrique, não tenha pejo em criticar o Observador. É uma crítica ao jornal, sim, e bem merecida. Pode ser que olhe para o que anda a fazer ...

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  5. O jornalismo não é para informar, é para vender.

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  6. O Observador é bem pior que isto. É um jornal de extrema esquerda com comentários de centro e direita.

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  7. 100% de acordo, HPS. Eu sou assinante do Observador (porque quero mesmo assinar um jornal português) e já nem me dou ao trabalho de ler as peças jornalísticas,  que só servem para me irritar. Pago o jornal, e limito-me a ler a colunas de opinião. 

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