Um dia destes, a propósito do que tenho escrito sobre Gaza, alguém me perguntou a minha opinião sobre os colonatos.
Respondi que não tinha informação suficiente para ter opinião sobre o assunto o que, naturalmente, levou algumas pessoas a chamar-me mentiroso e coisas afins (o "naturalmente" resulta de haver muita gente para quem a ausência de resposta que se pretende é motivo mais que suficiente para demonstrar que o interlocutor é uma besta).
E, realmente, não tenho informação sobre a questão dos colonatos, nunca me dediquei a ler sobre o assunto e tenho ideia de que é um assunto de grande complexidade.
Ora hoje, no Público, António Araújo veio em meu auxílio, escrevendo o obituário de Moshe Zar, o tal colono terrorista que dá título a este post, que copia o título do obituário.
Confirma-se que o assunto é mesmo complexo, ao ponto de Moshe Zar, um colono que pouco antes de morrer, aos 88 anos, dizer numa entrevista "A nossa guerra não é com os Árabes, é com os judeus que nos querem tirar a nossa terra".
A questão da terra parece ser (como digo, não sei grande coisa sobre o assunto, daí o "parece ser") uma permanente fonte de conflitos, e Moshe Zar era um promotor imobiliário que desde o fim dos anos 70 "começou a comprar clandestinamente terras aos palestinianos, na zona da Cisjordânia, prática que os árabes consideram uma traição punida com a morte".
O obituário não é claro, portanto não tenho resposta segura para as perguntas que esta última citação me levanta, sobre quem considera uma traição (já agora, se a traição é comprar a terra ou vendê-la) e quem pune os prevaricadores, através de que processos, com que garantias de defesa dos acusados.
E fico ainda mais confuso quando o mesmo obituário diz "a maioria das construções foi e é feita à maneira árabe, isto é, de forma selvagem e ilegal, prescindindo de licenças e autorizações camarárias", dando indicações sobre o "emaranhado jurídico em que, às tantas, ninguém sabia a quem pertencia o quê, se aos palestinianos, ..., se aos colonos, se ao Governo de Israel ou, enfim, se às organizações que financiaram a compra das propriedades".
Sobre os colonatos, como disse, não tenho informação para ter opinião formulada, do que não tenho grandes dúvidas é que a história de ocupantes (judeus) e ocupados (palestinianos) é uma grosseira simplificação do que se passa numa das regiões mais conturbadas no mundo, desde há séculos.
Moshe Zar era uma personalidade complexa. Vale a pena consultar a sua história de vida, obrigado pela partilha
ResponderEliminarMas em que é que a "salganhada" que apresenta tem a ver com o facto de um Estado estar a ocupar um território que em termos de ONU, e em termos de reconhecimento mundial, não lhe pertence?
ResponderEliminarÉ uma questão complexa, nao pode ser entendida como colonos maus, ocupados bons. Não se pode simiplificar
ResponderEliminarA ONU não tem credibilidade
Não tem nada que ver mas é como Olivença que também é nossa mas é do Espanhois.
ResponderEliminarBem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino do Céu
ResponderEliminarOs colonatos na Cisjordânia estão a ser instalados por iniciativa do governo de Israel, por iniciativa de colonos com autorização do governo, idem com a inércia do governo, idem contra instruções do governo que, contudo, não se opõe na prática?
ResponderEliminarHPS declarou não ter informação suficiente mas os que comentaram antes de mim parecem tê-la e é pena que não a tenham partilhado.
Em 1947 Gaza, era terra de ninguém sob mandato da ONU por devolução do mandato inglês, tal como Israel e Jordânia antes de terem sido fundadas. Em 1948 a Jordânia tinha ilegalmente ocupado a Cisjordânia mas na guerra desse ano perdeu-a para Israel que igualmente ocupou Gaza.
Nessa época existia presença judia em ambas, Gaza e Cisjordânia tal como cerca de 750 mil árabes em Israel. Depois de ganhar a guerra, Israel manteve-se em Gaza, quis devolver a Cisjordânia à Jordânia, que não aceitou e declarou aceitar imediatamente 250 mil dos 750 mil iniciais, que igualmente recusaram ficando internados em campos na Jordânia, sendo hoje quase tantos como a actual população de Gaza.
Em 2005 depois de várias tentativas para entregar Gaza ao Egipto que recusou sempre, Israel retirou-se unilateralmente depois de desmantelar os muitos colonatos contra a oposição dos colonos e de boa parte da sua opinião pública interna. Viu-se o que aconteceu depois com o Hamas que sempre lançou rockets contra Israel até ao grande ataque de 7 de Outubro.
Situação em tudo semelhante ao que se passa na Cisjordânia com a Fatah que, com menos intensidade, também tem lançado ataques de rockets contra Israel. A única diferença é que, devido aos colonatos, a Fatah não consegue, por exemplo, construir túneis sem que logo Israel saiba e mesmo que os colonos actuem, como já aconteceu.
Mesmo que o quisesse, muito duvido que no actual quadro interno e externo, o governo de Israel tenha força e autoridade para se opor eficazmente a iniciativas de colonos e, reforçar a presença policial preventiva como tem feito, parece-me o menor dos males.
Também como opinião pessoal, dado existirem organizações armadas anti-Israel quer em Gaza quer na Cisjordânia, e uma cultura de ódio, em Gaza começada nas escolas com a permissão se não o patrocínio da ONU, dado que a instrução com armas começa em jovens de 12 a 14 anos, o reconhecimento de um Estado palestiniano, parece-me um enorme disparate.
Ou começam ou continuam a guerra contra Israel ou, dado que o Hamas é sunita, proveniente da Irmandade Muçulmana e a Fatah é essencialmente laica, proveniente da OLP de Arafat, mas tem hoje na Cisjordânia a influência militar e doutrinária do Hezbollah que é xiita, a guerra civil entre ambos é o mais provável. Só que, se sem interferências externas, em 2007 o Hamas pôde eliminar a Fatah, na Cisjordânia, com o apoio do Hezbollah, seria bem mais complicado.
E, mais adivinhação do que opinião, assim que reconhecido um Estado palestiniano, a Jordânia logo exportará os mais de dois milhões de palestinianos que mantém sem praticamente direitos civis.
Dado que um Estado palestiniano, teria de ser sustentado internacionalmente, aposto que seria mais eficaz e até mais barato, se a ONU exercesse um mandato com forças de paz e policiais. Os palestinianos teriam todos os direitos civis excepto o de usarem ou terem acesso a armas.
«» ao pretender reconhecer Israel
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ResponderEliminarParecem? Como assim?
Yitzhak Rabin foi assassinado em 1995
ResponderEliminarSó te faltam as asinhas.
ResponderEliminarA “salganhada” continua. Até na gramática.
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