O regime de Assad era um veículo da influência do Irão e da Rússia no Médio Oriente. Mantinha a rota pela qual eram abastecidos e orientados o Hezbollah e o Hamas. A sua destruição é uma boa notícia para quem cuida da defesa do Ocidente. E não, uma vitória ocidental não tem de ser idêntica à transformação da Síria numa nova Suíça, ou ao advento da paz total e definitiva no Médio Oriente. Essa é a outra confusão que alimenta o derrotismo ocidental. O mundo nunca será igual ao Ocidente nem nunca corresponderá exactamente aos seus ideais: o hard power do colonialismo não o conseguiu, nem o soft power da globalização. O mundo é complexo, e uns inimigos substituirão os outros. Não deve haver ilusões a esse respeito: a defesa do Ocidente nunca terá fim. Pode bem ser que no lugar do derrubado ditador sírio venha a estar em breve outra situação ou regime igualmente funestos. Mas isso não é razão para desesperar e começar a ter saudades de Assad. O Irão está em desvantagem no xadrez que começou a jogar com o ataque a Israel em 2023: é isso que neste momento mais importa. A salvação não é deste mundo. O que é deste mundo é a luta. Talvez não nos seja dado mudar o mundo, mas podemos derrotar os nossos inimigos. Em épocas menos ingénuas, os ocidentais souberam isso. É tempo de o voltarem a aprender.
Rui Ramos, a ler na integra no Observador
ResponderEliminarMantinha a rota pela qual eram abastecidos e orientados o Hezbollah e o Hamas.
O Hizbullah sim, o Hamas não. A faixa de Gaz não faz fronteira com a Síria.
É muito mais fácil derrotarmos os nossos inimigos se as reformas estruturais forem implementadas, rapidamente e em força, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos.
ResponderEliminar«vira o disco e toca o mesmo»
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