sábado, 22 de dezembro de 2018

Reverentes e obrigados

Coletes amarelos.jpg


Ontem passei a manhã nas finanças de Cascais a resolver um problema da minha mãe onde estava seguramente mais gente à espera de ser atendida que na manifestação dos “coletes amarelos” à portuguesa (um embaraçoso equívoco) no Marquês de Pombal. Às tantas naquele ambiente macambuzio e coibido ouvi um colega de infortúnio perante a perspectiva de passar o resto do dia ali retido desabafar à sua companheira que “é melhor ficarmos, que isto com as finanças não se brinca”. Todos sabemos o que pode acontecer se cairmos em desgraça às mãos da inquisidora e eficiente máquina tributária. Foi antes de sair de lá com o preciosos impresso que me custou uma manhã de trabalho, que me chegou pelas redes sociais a iconográfica fotografia dos Coletes Amarelos cercados pelas forças da ordem na Rotunda, e foi então que me consciencializei de como o Poder está confortavelmente respaldado na eficiência destes dois vectores: a Máquina Tributária e as Forças da Ordem. No fundo o Estado bem pode falhar na justiça, na saúde, nas catástrofes, podemos continuar pobres e exauridos, mas a ordem está garantida: a oligarquia que nos pastoreia tem a faca e o queijo na mão.

10 comentários:

  1. Eu sou do tempo em que ainda se escolhia o pastor.

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  2. Esclarecido artigo e ilustrativa fotografia - que descreve o que foi evidente:

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  3. Chamar de eztremistas a uns pobres diabos que pediram  a favor dos que têm pouco, não lembra o careca.

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  4. Deviam ter confirmado quantos eram antes do evento.

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  5. No faroeste era dispara primeiro e pergunta depois.
    Nas Finanças é paga primeiro e reclama depois. 

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  6. Informação adicional - para melhor inferir o 'modus operandi' da Oligarquia bem instalada...:
    ♦  o SIS, organismo dependente do primeiro-ministro, previa «uma adesão próxima dos 2 milhões de pessoas»...
    Fonte: http://portadaloja.blogspot.com/2018/12/o-happening-do-sis.html

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  7. Eu, quando protesto, faço-o pacifica e democraticamente: voto. E voto sempre para que a minha voz se faça ouvir. Ao fim de 40 e tal anos, finalmente tive voz, paricialmente, na governação da Geringonça.



    Não gostam de ser chamados de Extremistas? Não andem à porrada com a polícia, não façam manifestações anti antifascistaa, não coloquem gente na rua a dizer que agora (após o 25 de Abril de 1974) é que estamos em ditadura, nem vão colocar flores na campa do escroque que felizmente caíu da cadeira.


    Dizia um dos Trauliteiros ma manifestação dos Coletes Meia-Dúzia: "não quero que o meu patrão me pague maia, quero pagar menos impostos" - mas que demagogia, que ignorância. Imposto que paga Estado-Social, não é imposto, é rendimento indireto. E salário que o patrão não paga, não é rendimento, é desigualdade e riqueza por distribuir, que o trabalhador produziu, mas ninguém beneficia, a não ser a conta bancária do patrão. Já tivemos esse sistema. Chamava-se Eatado Novo. E como se vê nessa foto, felizmente já só há meia-dúzia de saudosistas.


    PS: em 2019 vou protestar pacifica e democraticamente duas vezes: 1° vou votar contra uma estupidez chamada Zona Euro; 2° vou votar num dos partidos da Geringonça (nunca no PS da negociata, e nunca em Comunas), porque quero mais direitos laborais, mais e melhor Estado, e impedir a Direita-Trauliteira de voltar a ROUBAR milhares de milhões de Euros ao Trabalho para os colocar no bolso do Capital, tal como o tal manifestante que citei desejava...


    Vocês, votem na Direita do PSD, na Direita-Radical do CDS, ou em qualquer das "novas" Direitas-Trauliteiras que por aí aparecem, mas peço-vos uma coisa: sejam meia-dúzia ou meio-milhão, saiam-me da estrada, que eu quero ir trabalhar!!!

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  8. Não nos iludamos. As "forças da ordem" são manifestamente incapazes de proteger o pagante (por vezes também chamado "cidadão", verdadeiramente o "contribuinte" - melhor, o "saqueado") no seu dia-a-dia. Não têm efectivos, não têm meios materiais (basta ver que os automóveis verdadeiramente possantes, das forças da ordem, são usados para caçar a multa, nas auto-estradas; a generalidade dos carros usados em patrulha fazem sorrir, ainda que amargamente), não estão - e muito humanamente - para destruir as suas vidas pessoais por um disparo que ousem fazer. A lei entre nós ignora a vítima, culpa a sociedade e protege o criminoso.


    As forças da ordem servem para enquadrar as "caixas", ou lá como lhes chamam, desses criminosos impunes chamados "claques" e regular, legitimando-o, o escandaloso estacionamento selvagem a cada jogo de futebol. Quanto ao resto, invocam a falta de meios e aconselham o impostado a conformar-se e cuidar de se auto-proteger (mas, evidentemente, sem agredir o agressor!).

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  9. Espero que nunca precisem da polícia para vos proteger

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