
A meio da semana passada, impressionado com as notícias que vinham da Tailândia, perguntei aos meus filhos pequenos se sabiam do que se estava a passar. Não sabiam: como a maioria dos jovens e das crianças, hoje em dia conseguem viver numa bolha onde convivem com a “realidade” que escolhem seguir, por via do Youtube, do Instagram ou dum qualquer canal de séries ou desenhos animados sempre ao dispor. A razão por que nesse dia os obriguei a ver um noticiário da TV foi por considerar que aquele “caso” era definidor do que é uma autêntica “notícia”, além disso capaz de comover o mais empedernido adolescente. Esta história de 13 destemidos jovens sepultados vivos nas entranhas impenetráveis da terra e a obstinação de uma comunidade quase planetária disposta a tudo fazer para os salvar concentra em si o dramatismo mais profundo da condição humana seja na sua fragilidade ou nobreza. A complexidade de todas as histórias que daí se ramificam, da angústia dos pais e familiares aos heróicos mergulhadores que arriscam a vida num diabólico labirinto de corredores e câmaras rochosas submersas pelas impiedosas águas das chuvas… E a eventualidade da humanidade por uns instantes expurgar a sua alma colectiva com o sucesso desta operação, coroada com uma triunfal presença dos rapazes Domingo que vem na final do Mundial em Moscovo? Um final que se faça hino ao que de melhor é capaz o ser humano.
Os meus miúdos já acompanham as notícias que nos chegam das grutas do norte da Tailândia que depois debatemos e aprofundamos à mesa em família. Não como uma novela ou um torneio de futebol como sugeria há dias no Facebook um “intelectual” sempre enfastiado. Uma comoção verdadeiramente global que espelha a humanidade que somos todos independentemente da geografia, história e da língua com que nos fizemos gente (desculpa lá o mau jeito John Lennon). Porque o que está em jogo é o simples duelo entre as trevas e a luz, e nisso (quase) todos sabemos de que lado somos.
13 destemidos jovens
ResponderEliminarEu diria antes 13 jovens inconscientes e/ou estouvados (tendo em conta a idade, mais inconscientes que estouvados) acompanhados de um "treinador" que merecia ser fuzilado (por já ter idade para ser consciente das suas ações). Então passa pela cabeça de alguém meter-se por uma gruta adentro, sem parar, sempre em frente, quilómetros a fio? Isto não é ser-se destemido, é ser-se estouvado.
E agora anda o erário público tailandês a gastar um ror de dinheiro para safar esses parvos que fizeram asneiras. Deveria ser tudo debitado às contas bancárias dos pais deles.
O erário público tailandês é mesmo um problema. O seu comentário foi aprovado como exemplo vivo de uma alarvidade. Faz bem manter o anonimato, compreende-se o pudor.
ResponderEliminarOcorreu-me há muito, algo semelhante, sobre os acidentes de automóvel e consequências: socorro de bombeiros, gnr, hospital & son on. Responsabilizar financeiramente culpados, para lá dos seguros auto.
ResponderEliminarDe facto exagerado, sem aplicação no caso.
ResponderEliminarÉ muito amável. Não é exagerado, é idiota mesmo.
ResponderEliminarAmigo anónimo, o que eu desejo é que nunca cometa um erro ou imprudência que lhe afete a saúde, ou estarei eu aqui a pedir-lhe contas do dinheiro dos impostos que pago para lhe tratar da saúde.
ResponderEliminarO anonimato foi por distração, o autor sou eu, Luís Lavoura.
ResponderEliminarCensurar comentários por serem alarves é muito feio.
Os seguros são, precisamente, uma forma de responsabilizar as pessoas pelas consequências dos seus atos. Se eu bater no seu automóvel causo um prejuízo que sou obrigado a ressarcir mas, como tenho seguro, é ele quem ressarce.
ResponderEliminarNós temos em Portugal um problema análogo ao dos meninos tailandeses, que são os turistas alemães que vão passear para as levadas da Madeira e depois caem em precipícios. Depois andamos nós (contribuintes portugueses) a gastar dinheiro em socorristas por causa de uns idiotas que se metem em alhadas que não tinham nada que se meter. Deveria ser-lhes cobrado pelo serviço, para aprenderem a não serem temerários.