"O que está em causa?
Quando anunciou o acordo para a venda de 75% do Novo Banco à Lone Star, António Costa garantiu que, apesar de a venda não render qualquer encaixe imediato para o Fundo de Resolução, não haveria “qualquer perdão” aos bancos.
Mas Pedro Passos Coelho, na entrevista à SIC na quinta-feira (e Maria Luís Albuquerque, uns dias antes, à Renascença) acusou o Governo de, nas vésperas do acordo com a Lone Star, ter definido condições para os pagamentos pelos bancos ao Fundo de Resolução. Estas novas condições fariam com que tivesse havido, na realidade, um “perdão” de quase metade das responsabilidades da banca associadas à resolução do BES (e do Banif). Quem tem razão?"
Edgar Caetano dedica-se a deslindar a questão acima.
Dá voltas e mais voltas mas no essencial diz que realmente há uma perdão substancial da dívida dos bancos ao Estado, confirmando que, adoptando alguns pressupostos admissíveis, Passos Coelho tem toda a razão (em linha, aliás, com a única fonte não anónima citada no texto).
Mas, diz Edgar Caetano, há uns especialistas anónimos que adoptam outros pressupostos, também admissíveis, que concluem que Passos Coelho tem razão, mas exagerou qualquer coisa (disse uma coisa esticada, na linguagem das verificações de factos do Observador).
Ou seja, Edgar Caetano conclui: "existe um favorecimento mas que não chegaria aos valores expressados pelo líder do PSD".
Para quem está a verificar factos não deixa de ser estranho que Edgar Caetano se abstenha de dizer ele mesmo qual é efectivamente a dimensão do perdão da dívida aos bancos, mas o mais curioso desta conclusão é que ela não responde à questão enunciada: Quem tem razão? Passos que diz que há um perdão de metade da dívida dos bancos ou Costa que diz que não há perdão?
Eu compreendo: por mais voltas que se dêem, é evidente que talvez Passos se tenha esticado, mas é inegável que Costa está a dizer uma valente aldrabice e, por definição, Passos não tem razão face a Costa.
Pois.
Portanto, o que importa ao nosso jornalismo não é denunciar Costa como um reles aldrabão - é, sim, denunciar que Passos acusa-o de ser mais aldrabão do que é.
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