sábado, 2 de novembro de 2013

Uma tragédia

Há quem diga que eu odeio Sócrates. Não é verdade. Eu tenho pena de Sócrates, porque ele nunca vai ter o respeito que poderia ter tido. E, acima de tudo, vejo nele o reflexo de um país que parece destinado a uma guerra cívil perpétua entre queques e arrivistas, uma guerra silenciosa mas omnipresente. É triste viver num país que não aceite facilmente que dois homens com berços distintos encontrem um chão comum, uma amizade que supere todas as diferenças de apelido, sotaque e trejeitos. Esta é a nossa tragédia, da qual Sócrates é apenas um actor.




Henrique Raposo hoje no Expresso

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