Parece que era Deng Xiao Ping, quando a China começou a liberalizar a economia, que dizia que “desde que cace os ratos, não importa se o gato é branco ou preto” (Luís Fazenda é que deve saber ao certo). A moção de censura do Bloco de Esquerda é uma asneirada na forma como foi apresentada, mas poderia derrubar o Governo. Não concordo com Pacheco Pereira, que na “Quadratura do Círculo”, considerou que “ao contrário do que se pensa”, o mais importante numa moção de censura é “o contexto” e não derrubar um Governo. Se não serve para derrubar um Governo sem apoio parlamentar e, neste caso, levar a novas eleições, para que serve então? Outros tipos de “censuras” ao Governo aparecem todos os dias, em toda a parte, sem consequências de maior.
No entanto, a coisa correu bem a Sócrates, porque é evidente que quer o CDS quer o PSD não vão votar a favor da moção do BE. A actual direcção do PSD é especialmente responsável por isso. Poderia, há quase um ano, ter derrubado o Governo, antes do presidente de República estar impedido constitucionalmente de dissolver o Parlamento. Pensava-se que iria aproveitar esse tempo para se preparar para assumir o poder assim que fosse possível, mostrar aos eleitores que propostas tinha, que gente conseguia convocar para a tarefa de recuperar o País. Mas nada, só agora anuncia uns Estados Gerais e (esperando o melhor) vamos ver o que sai dali. Ou seja, era preciso criar um “sentido de urgência” para a mudança de Governo e de rumo do País e não ficar a fazer comentários dispersos à “notícia do dia”, a seguir a agenda que, como ninguém, os socialistas estabelecem nos “media”. Se isso tivesse sido feito, poderia entender-se agora uma convergência de todos os partidos da oposição para mudar de Governo, fosse apresentada por quem fosse.
Assim, como os partidos de direita não votam nas moções de censura da esquerda, os partidos de esquerda também não deverão votar eventuais moções da direita. Seja qual for a cor do gato, nenhum caçará o rato. Dizem os comentadores que talvez Cavaco exerça a sua “magistratura activa” e isso leve à queda do Governo. Outros dizem que não e a mim também me parece. Outros dizem que lá para Maio, com mais um PEC, será a altura. Outros que afinal o FMI sempre vem e então é que é. Outros, que será quando o Orçamento for votado, lá para o fim do ano. O que são mais uns meses para um País que se anda a endividar diariamente a juros absurdos e com uma economia em recessão?
Entretanto, os socialistas vão ganhando tempo e aproveitam todas as notícias para mostrar que sem eles é o caos. Mesmo assim, seja quando for que elas aconteçam, o mais provável é que o PSD ganhe as próximas eleições, não porque as pessoas percebam bem o que quer, nem estejam cativadas por uma “vontade de poder” que parece não existir entre a actual liderança laranja, mas sim porque “pior do que está não fica”. Porém, com Sócrates a ultrapassar cada obstáculo que vai surgindo, conseguindo apagar da memória dos portugueses quem governou (quatro anos em maioria absoluta) nos últimos tempos e é responsável pela crise, já não me espantaria que o PS voltasse a ganhar. Afinal, os portugueses já reelegeram Guterres e o próprio Sócrates.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Um país sem pressa
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Eu, por exemplo, não percebo bem (nem bem, nem mal) o que quer o PSD.
ResponderEliminarPercebo, porém, que não vote esta moção de censura, uma vez que os próprios anacletos declararam que não se limita a ser contra o governo (coisa que, parvo que sou, supunha que era para o que serviam as moções de censura ao governo) sendo também contra a oposição de direita. Como, além disso, é para lixar o PCP, está-se a ver que já perdemos com ela mais que o tempo que merecia, ou seja, nenhum.
Realmente, ainda estou para ver como é que uma moção de censura derruba um partido de oposição...
ResponderEliminarNuma breve imagem, a política é uma porca a correr com os bacorinhos atrás. A gente tem pena e não a mata. Comem-na os lobos, depois...
ResponderEliminarAbraço, Duarte.
Esta patética iniciativa de um partido, cuja sobrevivência enquanto tal obriga a uma permanente fuga em frente, serviu às mil maravilhas um primeiro ministro moribundo, que dessa forma pode encher o peito e posar como estadista, vociferando a sua indignação pelas ignomínias que tal manobra sujeitará o pobre povo português, marca pois pontos nesta guerra de mentiras e desinformação Sócrates, o "berloque" deu mais um passo na direcção do ocaso, quanto aos outros, pois será como muito bem escreve, sem duvida a demora do PSD em clarificar o óbvio, vai penalizar a direcção de Passos Coelho e o partido, o CDS não terá flutuações de maior, podendo até sair reforçado pela aparente tibieza do PSD, quanto ao PC, pois é, foi ultrapassado numa corrida em que aparentemente não queria entrar, indo daí retirar sem duvida benefícios à custa dos folclóricos de esquerda, manobra intencional ou pura sorte, não sei responder, mas que calhou bem para o PC isso sim. Iniciativas fortes da parte da casa rosada de Belém, hmmmm , não, não me parece, concordo consigo, para o senhor Silva de Boliqueime tomar tal iniciativa, teria que estar absolutamente seguro que a medida não iria beneficiar eleitoralmente o PS, na campanha mediaticamente apoiada e dirigida de ultra vitimização, de um governo tão bom e competente, injustamente afastado do poder pelo malvado presidente, que claro é de direita, (vade retro), mensagem essa que seria zurzida ao país "ad nauseum" por um habilidosamente mentiroso e lacrimejante Sócrates, daí talvez apenas um enorme clamor, provocado por resultados absolutamente desastrosos, da contenção da despesa publica no final do primeiro trimestre, obriguem à queda do governo.
ResponderEliminarAqui está uma imagem que não me ocorreu. Abraço
ResponderEliminarE o que é pior é a confusão disto tudo, quando precisávamos tanto de posições e opções claras. Parece que os nossos políticos acham que quanto mais complicam o que é simples, mais inteligentes parecem.
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