Maria João Avillez escreve hoje na Sábado que metade dos eleitores de Cavaco vão votar nele achando que como presidente reeleito vai “actuar” e a outra metade (na qual ela se inclui) achando que não. Eu, que me vou abster, não sei. A julgar pelo lado “institucional” em que Cavaco tem refugiado a sua falta de capacidade para ser chefe de Estado (não seria óptimo que ele tivesse tomado conta do PSD em 2005 e tornasse a ser primeiro-ministro? O País hoje seria outro), é verdade que só perante uma moção de censura vitoriosa, que o PSD provavelmente apresentará, ele dissolverá o Parlamento e convocará novas eleições. No entanto, se quiser remediar o terrível estado em que Portugal está e estará, muito também por culpa da sua “cooperação estratégica”, das suas “reuniões de trabalho” com Sócrates na mesa com pé de galo às quintas-feiras e dos seus “recados” em discursos solenes a que ninguém no Governo ligava, motivos não lhe faltam para convocar novas eleições. A começar pelo facto do Governo não estar a cumprir o programa com que se apresentou às eleições de 2009, sabendo, aliás, já que Sócrates sucedeu a Sócrates, que não tinha condições para tal.
Perante as eleições quase certas em Abril ou Maio, tudo indica que o PSD ganhará e formará governo com o CDS. Não deixa de ser extraordinário que face a esta fortíssima possibilidade a elite laranja esteja tão calada e não promova discussões e debates sobre o que é preciso fazer para tirar Portugal desta crise. Fora a direcção do partido e de meia-dúzia que têm lugar cativo na Comunicação Social (Pacheco Pereira, Morais Sarmento, Marcelo, Marques Mendes) ninguém diz nada. Será por “adesismo”, essa segunda natureza dos portugueses, por medo de desagradar ao chefe e virem a ser afastados dos lugares de poder que se avizinham? O PSD não costumava ser assim, mas hoje já não digo nada. Entretanto, Passos Coelho tem-se reunido discretamente com figuras interessantes da sociedade portuguesa, na sua maioria sem militância partidária, que poderão dar bons ministros e secretários de Estado. Vamos ver é se na altura de formar Governo ele vai conseguir resistir aos apetites do aparelho que, mesmo que não consiga os principais cargos, vai querer invadir tudo quanto é assessoria e gabinete (e será que essas figuras que vêm de fora da política conseguem aguentar o convívio com estes ávidos laranjnhas?)
Quanto ao PS, duvido que Sócrates se reapresente a eleições se as sondagens continuarem como até aqui. Fica melhor no papel de vítima, que fez tudo o que pôde pelo País, mas não o deixaram continuar a sua obra. Também é verdade que ninguém está a ver no PS quem terá vontade de concorrer a umas eleições praticamente perdidas. No entanto, era bom que surgissem socialistas novos, com outra atitude, que soubessem governar, porque o País é de esquerda e será durante mais uma ou duas gerações, pelo menos. Portanto, o PS acabará por voltar ao poder mais cedo ou mais tarde e só tínhamos a ganhar se viesse mais bem preparado do que Guterres e Sócrates.
São estas as minhas previsões políticas para 2011 (ou, pelo menos, para o primeiro semestre) que não deixariam envergonhada a astróloga Maya. E nem sequer precisei de falar do FMI.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Astrologia política
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"não seria óptimo que ele tivesse tomado conta do PSD em 2005 e tornasse a ser primeiro-ministro? O País hoje seria outro"
ResponderEliminarNão não seria. Cavaco é incapaz ou não tem vontade de combater. Nem a bitola de Soares e Sampaio segue.
Caro Duarte:
ResponderEliminarBrincando com futurologia, onde podemos dizer quase tudo, sem chatear ninguém (pelo menos com a Maya funciona...), fico por uma sucinta análise da "posta"!
Votar em Cavaco porque sim, é algo de tão estranho quanto absurdo face ao seu desempen(h)o ao longo do 1º mandato, cuja a única ambição era ser reeleito!
Não voto, mas se o fizesse seria no "camarada Chico".
Haver eleições era bom...Mas escolher entre Sócrates ou um "líder para perder PS" e o Passos Coelho possivelmente com o Paulo das Feiras na algibeira... Tenho muitas dúvidas acerca de sinais de melhoria... Ou mais valia!!!
Até porque Passos Coelho já preencheu todos os cargos possíveis e imagináveis em promessas de campanha aos apoiantes laranja...à razão de 3 a 4 pessoas por cargo!
A cooperação estratégica é fraude, prova disso as escutas de Belém e a falta de coragem política de Cavaco!
O País é de esquerda...Ou não!!! O PS é de centro direita (pelo menos assim tem governado!), com medidas esquerda de fait divers (aborto e casamento gay são exemplos claros!)...E só é PS actualmente porque o amigo Cherne se vendeu à "nova ordem" naquela reunião na Base das Lajes com o Bush, Blair e Aznar... Fugiu e levou com ele a confiança do eleitorado no PSD!!!
Concluindo, acabar com o financiamento obscuro e incontrolável dos partidos nomeadamente o binómio rosa/laranja! Já era um começo de 2011 favorável e positivo! Dar liberdade às pessoas, menos estado nas nossas vidas, muito menos estado...porque os governos foram criados para assegurar qualidade de vida aos cidadãos...E não para retirá-la, se assim for os cidadãos poderão impugnar e deixar de reconhecer governantes e respectivas instituições!
Na sua previsão, não vê a revolta social?
Até me admiro de haver quem queira ir para a cadeira do poder nos dias que se avizinham, com o descrédito que se abateu sobre a classe política, as dramáticas consequências do nosso endividamento e as medidas que vai ser preciso adoptar, o caudal de pobres e desempregados sem a menor hipótese de voltarem a arranjar emprego, o salve-se quem puder instalado...
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