domingo, 1 de agosto de 2010

Estes dias

 



…são um exercício de crescente desapego da muita tralha que nos distrai e constrange durante a maior parte do ano de responsabilidades, tensões e inadiáveis objectivos. Há uma vertigem neste processo de progressivo desprendimento de rotinas e fetiches que alicerçam a personagem que pretendemos ser. É o resgate da alma, o encontro com Deus, com aquilo que é essencial. Não ter controlo, aceitar a providência, sonhar acordado e sem idade outra vez. Tudo se resolve afinal.


À noite encontramo-nos preguiçosos no meio dos livros começados e dos jornais amarrotados, ao som das cigarras e do chapinhar dos barcos na maré enchente. Os pequenos já dormem enquanto a festa murmura de longe, sôfrega e batida. A fingir que o amanhã não importa.


 


Fotografia: Milfontes, Canal em 1933, da colecção de Filipe Menezes, com os devidos agradecimentos.

2 comentários:

  1. Férias são férias2 de agosto de 2010 às 08:56


    Mas nesse tempo da fotografia eram verdadeiramente férias. Com rede de volley na praia e uma só fila de barracas.

    ResponderEliminar
  2. 1933 - nem turismo havia.

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...