A não ser que nos paguem para os interpretar, não há nada mais chato do que nos contarem sonhos. Sonhos mesmo, daqueles que temos quando dormimos. Pois bem, estava pela página 150 do calhamaço 2666 e o autor Roberto Bolaño já tinha descrito uns cinco ou seis. É claro que os três últimos já os tinha “passado”, não percebendo o que a leitura dos dois primeiros tinha contribuído para a narrativa. Quando verifiquei que o romance tinha 1030 páginas e que me estava a maçar, desisti. Não duvido do génio literário que gente muito mais capacitada do que eu atribui ao autor chileno, que morreu em 2003, mas aquela escrita em bruto, que parece que poderia ser reduzida, pelo menos, para metade, cheia de pormenores sem importância nenhuma ou especial qualidade de escrita (de que os sonhos são só um exemplo) não me interessa. Lembrei-me de uma frase, creio que de André Breton, que dizia que um autor que não compreendemos é certamente um imbecil e senti-me mais confortado por não conseguir aguentar esta “obra-prima dos nossos tempos”. Cada vez mais prefiro as obras-primas do passado. Mesmo no Verão.
Se não gostas de ler, não leias.
ResponderEliminarMas claro também não te fica mal se te ficares pelo Camilo.
Palo Camilo? Para quê? Só se estiver apaixonado!
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ResponderEliminarlembrei-me de quando me dei ao trabalho de ler "a montanha mágica ". jesus , metade da prosa era mais do que suficiente , um pincel o melhor livro do sec xx , como alguns dizem. passei folhas ao largo até dizer chega . como diz o Pennac , de quem até gosto bastante quando conta histórias , o leitor tem direitos !!
Pode sempre ler um Steve Berry, quer em português, que em inglês...
ResponderEliminarNão. Leia em chinês, sempre vai folheando o livro mais depressa.
ResponderEliminarCalma aí. O leitor tem direitos, quando o escritor está adstrito a deveres para com os leitores. Ora escreve-se para quem gosta de nos ler. Quem não gosta, não lê e ao tomar essa decisão, está a exercer um direito - o seu direito. Não tem direito a mais nenhum.
ResponderEliminarVeja lá como são as coisas, lembro-me de que tive dificuldades em ler para aí até à página 20, mas depois fiquei de tal maneira envolvido pela "Montanha" que no fim já nem queria que o livro acabasse. Creio que me recordo inclusive do nome do protagonista, apesar de já o ter lido há uns bons 30 anos. Hans Castorp, não era? Até hoje, Thomas Mann é um dos meus escritores favoritos. Está a dar-me uma boa ideia para uma releitura de Verão.
ResponderEliminare um dos direitos é não ler mesmo nada. como fazem os imbecis.
ResponderEliminarAcho que a Maria estava a fazer uma piada. Não é preciso levar à letra.
ResponderEliminarTá bem, era uma piada, mas deu-me oportunidade de mostrar que também leio calhamaços de autores de bom tom.
ResponderEliminarTenho para vender mais de 60 livros por 1€ a 5€. Visitem: http://vendolivros.wordpress.com/
ResponderEliminarprefiro voltar a ler " guerra e paz " ou a "leste do paraíso". e o amigo do João Távora tem razão : são poucos os que vale a pena ler publicados há menos de , não digo 100 anos , mas aí uns 40...o irvine welsh é um deles. experimente o "Lixo". tb gosto do martin amis.
ResponderEliminarda montanha mágica só me lembro de um italiano qualquer. também era miúda quando o tentei ler.
John Steinbeck é o meu preferido , cresci com ele.
( temos direito de ler páginas na diagonal , não é ? já agora..)
Diz que o sr. PGR tem passado o seu tempo a ler essa obra, o que explica que só tenha vindo a fazer com licença merda.
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ResponderEliminarNão se preocupe. O seu caso é muito comum. Chama-se falta de cultura, literária e não só.
A Montanha Mágica não é uma das obras primas do séc. XX, é a obra prima literária do séc. XX. Não tem uma letra a mais ou a menos. Tem é demasiadas letras para a sua camioneta cultural...
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ResponderEliminarcomo quiser...chega-me a camioneta que tenho , Platero anónimo.
ResponderEliminarA tia Cecília conseguiu forrar todas as gavetas existentes na sua casa de campo, graças a esse livro.
E as baratas ainda não roeram o papel?
ResponderEliminar"A barata que roeu o papel" quase parece um êxito de technobimbo, dançável numa festa de aldeia em Agosto.
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