quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sensibilidades e bom senso


 


 


Sem intenção de desvalorizar uma séria discussão sobre o confronto entre as tecnologias de informação e a vigilância electrónica com os limites da privacidade dos indivíduos, parece-me algo exagerado o alerta hoje emitido pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (e quem não tem direito uma bela comissão?) a propósito do Dia Europeu da Protecção de Dados que é hoje. 


Por mim não vejo no que possa comprometer um pacato cidadão ser casualmente captado por uma câmara de vigilância num local em que tal se justifique como medida de prevenção ao crime. Também não reconheço que os dispositivos de pagamento electrónico de portagens e parques de estacionamento constituam por si qualquer perigo para o condutor: ele terá sempre a opção de utilizar dinheiro vivo, que como é sabido não deixa rasto, ou até pode escolher circular por estradas secundárias. A mesma regra se aplica aos cartões Multibanco ou de Crédito: no fundo quem se sentir ameaçado pelos estratos mensais na sua caixa do correio tem sempre a opção de fazer compras com dinheiro.


De resto quando abro a minha página da Amazon anoto com agrado que eles, graças a uma bem gerida base de dados, apresentam uma “montra” à minha medida e sabem do que eu gosto, o que por vezes me poupa uns bons minutos de pesquisa. 


Sobre a tão propalada questão dos scanners dos aeroportos: garantida a inexistência de significativos riscos para a saúde, acredito que eles constituem uma solução eficaz para um embarque mais cómodo e escorreito e um voo sem desagradáveis surpresas que pudessem ter sido evitadas.  Presumo que aqueles que reclamam constituir esta tecnologia "uma inadmissível invasão da privacidade do passageiro" devem viajar pouco ou nunca. Certamente nunca passaram o vexame de ser apalpados e despidos, percorrer intermináveis bichas com os sapatos, cintos e malas abertas na mão, seja em Londres, Frankfurt ou Lisboa. A mim, com este ar de terrorista façanhudo que me caracteriza, aconteceu-me já mais do que uma vez em Londres ser conduzido nesses preparos indignos para um gabinete fechado para assistir impotente a uma minuciosa análise do meu computador. Enfim, deixemo-nos de falsos puritanismos e venha de lá o bendito scanner que eu trabalho no alto duma torre das Amoreiras e vejo os aviões ameaçadores a cada minuto de frente para a minha janela. Finalmente, este parece-me mais um daqueles temas fracturantes, cuja infindável e aborrecida discussão será facilmente ultrapassada e resolvida pelos factos que como sempre superam os argumentos... com bom senso.


 

6 comentários:

  1. Concordo, de certa maneira, com o João.

    Também sou adepto das facilidades que as tecnologias vieram trazer à nossa vida, se bem que com alguma perda de privacidade.

    Acho que nesta questão devemos evitar o "slipery slope": resvalar para extremos tanto de um lado como do outro.

    Embora possamos levar um estilo de vida completamente "analógico" (sem cartões de crédito, vias verdes, multibancos, etc, etc), tal não é, obviamente, muito prático ou exequível. E embora não me importe que a Amazon saiba o que é que já comprei na loja deles, e que faça sugestões com base nisso, já olho mais de soslaio para a possibilidade de, suponhamos, alguém um dia se lembrar de usar os registos das horas das vias verdes para calcular a velocidade média a que eu seguia e, com base nisso, "multar-me" em diferido por excesso de velocidade. Isso não é feito hoje, pois não. Mas o que é que impede alguma "mente brilhante" de se lembrar disso? A questão, no fundo, é até que ponto a tecnologia pode ser "abusada". E, sou sincero, o Estado (seja qual for) é a primeira entidade que eu vejo com mais probabilidade de abusar desse tipo de informação.

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  2. Bem... não sei se se recordam da história do chip nas matrículas, que permitirá a um grande irmão saber por onde cada um andou.

    E foi noticiado que, na Holanda, há a intenção de equipar todos os veículos com um GPS para controlo da quilómetragem que faz, permitindo aplicar uma taxa por quilómetro percorrido.

    Eu não faço nada de comprometedor, mas daí a apreciar que uns quaisquer funcionários insanos espiolhem a minha vida vai uma grande distância.

    Sinceramente, parece-me que há invasões da privacidade e invasões da privacidade...

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  3. Quando alguém disse que não se importava com a vigilância, alguém lhe disse "get a life". Eu sei que tem uma e cheia e interessante e totalmente «lícita», mas todos temos segredos inofensivos no sentido penal mas que não queremos ver revelados. Eu também gosto da minha montra na Amazon, mas lembro-me daquele norte-americano que viu cancelado o seguro de saúde depois de ter feito buscas na net sobre uma doença de um colega de trabalho...
    A questão é prevençao, antes que depois - e eu vejo-me como vítima - nos venham impingir medidas abusivas, principalmente governos socialistas que leviana e despudoradamente criaram todas as condições para que o crime suba.

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  4. ...controlo da quilometragem que fazem...

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  5. ATENÇÃO! Se repararem bem, as nossas sociedades estão a caminhar a passos largos para um estado Orwelliano ou sociedades Big Brother como preferirem. O pior, é que a intenção de tornar as nossas sociedades "democráticas", neste tipo de sociedade (Big Brother) já estava planeado muito antes do 11 de Setembro. O 11 de Setembro só acelerou o processo.

    A questão é a seguinte?
    Como fazer com que o cidadão comum aceite serem-lhe retiradas liberdades civis básicas sem que este proteste e ainda por cima, concorde plenamente com as medidas adoptadas pelos governos? (neste caso; expansão de câmaras de videovigilância por toda a europa, aceitação de Bilhetes de identidade no Reino Unido, microchips em automoveis, criação de bases de dados com ADN dos cidadãos, introdução de passaportes com chips RFID, vigilância de actividades na Internet (scanner de emails, facebook, twitter e blogues), reforço policial e militar nas ruas dos EUA e Reino Unido, introdução de scanners corporais nos aeroportos, etc, etc).

    A técnica é muito simples e funciona assim; (em 3 passos)

    1º Problema: Cria-se um problema no mundo.
    Neste caso o 11 de Setembro. Ou seja, derrubam-se 3 torres com 2 aviões, depois usa-se a imprensa escrita e a televisão culpando alguém que está morto há anos pela catastrofe (neste caso o Bin Laden e a Al-Qaeda).

    2º Reacção: O público, que foi exposto durante semanas consecutivas às imagens de horror do 11 de Setembro vindas da televisão e da imprensa e que já sabe quem foi o responsável e onde se encontra, reage veementemente, exigindo uma resposta adequada dos governos ao problema causado.

    3º Solução: Os governos que criaram o problema, apresentam ao público as medidas que o próprio público agora exige e que já tinham sido pensadas muito antes de os próprios governos terem criado o problema. Ou seja, 2 invasões ilegais (Iraque e Afeganistão para controlar uma zona muito importante estratégicamente em termos de recursos) com o pretexto de desmantelarem a inexistente Al-qaeda e encontrar o morto Bin-Laden, além de agora, o público aceitar muito fácilmente a perda de liberdades civis básicas e a introdução do estado Orwelliano nas suas próprias sociedades sem protestar e ainda por cima, apoiar essas medidas. (Introdução de body scanners, câmeras de videovigilância, etc, etc.)
    Tudo para bem da nossa segurança, não vá o Bin Laden (que anda por aí), derrubar outras 3 torres com 2 aviões.


    Para mais informações de como esta técnica funciona(Problema, Reacção, Solução) e é utilizada pelos Governos para controlar o público, vale a pena ver:

    David Icke - Problem, Reaction, Solution
    http://video.google.com/videoplay?docid=6105854411197496081&ei=4wFiS9D0CdCr-Aad2KywCA&q=David+Icke+%E2%80%93+PROBLEM+REACTION+SOLUTION%E2%80%A6#

    David Icke - Turning of the Tide
    http://video.google.com/videoplay?docid=-6334005121196324215#


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  6. Bem visto, sim senhor28 de janeiro de 2010 às 22:04

    Pois claro, o 11 de Setembro já estava planeado há que tempos apenas e só com o fito de criar mecanismos que nos controlassem a todos.

    E agora vou ali continuar a fumar do mesmo.

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