Tenho pena que o Hot Club de Lisboa feche devido ao incêndio, ontem à noite, do prédio onde está, na Praça da Alegria, mais um sinal de como a cidade se vai destruindo a pouco e pouco. Mas a verdade é que os bons momentos que lá passei vêm acompanhados de recordações de profundo desconforto. Aquilo era tão pequeno que, mesmo quando os músicos que lá se apresentavam não eram conhecidos, os seus amigos mais chegados bastavam para ocupar os poucos lugares sentados e só chegando cedo ou tendo sorte se apanhava uma mesa livre. Quase sempre assisti às apresentações de pé, junto ao balcão do fundo, tentando espreitar o palco por cima das cabeças e entre as colunas. Ou então ficava na escada, com dores no pescoço por estar tanto tempo com a cabeça voltada para o palco. Muitas vezes, até fora dos meses quentes, aquilo abafava de uma maneira atroz. Se havia alguém um pouco mais conhecido a tocar, ficava logo cheio e nem se conseguia entrar, reforçando a ideia de que aquilo era um lugar reservado a meia-dúzia de "entendidos" e não o local de divulgação do jazz que outrora lhe deu fama. A determinada altura, desisti de lá ir e já nem consultava a programação. Enfim, tomara que recuperem o prédio que transformem o Hot Club para melhor. Parece ser esse o sentimento dos responsáveis que ouvi prestar declarações aos jornalistas e nada mais inteligente do que transformar um momento tão negativo como este numa ocasião de renascimento.
Assino por baixo.
ResponderEliminarEu gosto de jazz e odeio sinistros!...
ResponderEliminarGostava de ir ao Hot Club, exactamente, pelo que descreve de negativo, no seu post. Aquela noção atravancada e nada confortável que lá se tinha, era o sal e a pimenta "da coisa". Eu gosto de ambientes de boémia e o Hot era isso mesmo.
Já tenho ido ao Onda Jazz, mas como diz o anùncio, "não é a mesma coisa".
Enfim e para terminar:
- Há dinheiro, em Lisboa, para tudo, menos para reabilitar os prédios que a tornam linda, mitica e uma das cidades mais interessantes do Mundo!
- É muita pena.
Eu também gosto de ambientes boémios, mas prefiro ficar sentado quando ouço jazz, ainda que não me importe de circular um pouco. Enfim, gostos...O mais importante é que o Hot Club reabra o mais rápido possível e na melhores condições, na sua morada histórica. Tem toda a razão quanto à reabilitação: todos dizem que é uma prioridade, mas o que continuamos a ver é prédios a cair ou "esventrados" em "adaptações" manhosas.
ResponderEliminarA proposta de Santana Lopes para revitalizar o Parque Mayer acabaria por abranger, por contágio, toda a Praça da Alegria...
ResponderEliminarEu só pergunto: como é que arde assim um prédio mesmo ao lado dos bombeiros?
ResponderEliminarEu pergunto ,será que a coleção de discos
ResponderEliminardo Luis Villas boas ardeu ? ou já a tinham
mudado ? é que num documentário na RTP2
a uns anos vi os discos do LVB a monte
no HClub ,gostava de saber ..
Pelo que percebi das notícias, o espólio foi salvo.
ResponderEliminarCaro Duarte Galvão,
ResponderEliminarPermita que concorde, sublinhando o meu Lamento profundo, pelo fogo nesse lugar de memórias. Mas , há que transformar o "mal em Bem": Façam as obras necessárias e ofereçam à Cultura um novo espaço condigno, para um dos paladinos mundiais do jazz - o Hot Club .
O espólio encontra-se arquivado no edificio onde funciona a escola de jazz Luis Villas Boas
ResponderEliminarBom dia. Este post está em destaque na Homepage do SAPO.
ResponderEliminar:-) Feliz Natal, Maria João
ResponderEliminarNunca mais será a mesma coisa...
ResponderEliminarSão sempre os mesmos a pagar. Os contribuintes. Porque não se unem os frequentadores e recuperam o imóvel. E podem até fazer aquilo que querem. Vamos a isso ... São vejo os moralistas (oportunos) consumidores dos dinheiros públicos.
ResponderEliminarPode ser uma ideia. Se a Câmara Municipal de Lisboa, actual dona do edifício, passar depois a propriedade para quem pagou para o recuperar, porque não?
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