quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Obsessão doentia

O PS ganhou as eleições, vai haver novo Governo, novos ministros, novas ideias para enfrentar os problemas do País, entusiasmo em descobrir soluções, energia renovada. É isto que se vê? É sobre isto que os jornalistas e comentadores escrevem e falam? Não. Preferem ocupar-se  com quem poderá vir a ser o novo líder do maior partido de oposição. O que não governa.

12 comentários:

  1. Mas que pode vir a governar (ou a disputar eleições nacionais, vá, pronto) e mais rápido do que se pensa. Percebo-te, mas a relevância do tema é incontornável. E verdade seja dita, a atenção na sucessão do PSD deve-se em boa parte ao próprio blackout que no PS ainda há sobre os nomes dos ministeriáveis (quanto às novas ideias, entusiasmo e energia, bom, é preciso que existissem...)

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  2. Não estou a dizer que o assunto não é importante, mas creio que a prioridade é um Governo que nos faça sair bem desta crise, pôr o País a crescer e a melhorar o nosso nível de vida. Não são as tricas e as declarações de políticos da oposição. Quanto ao blackout, só mostra que o nosso jornalismo político, com honrosas excepções, é feito sentado, à espera do telefonema da fonte.

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  3. Julguei que o sr. DC gostasse que se falasse do partido dele. Afinal, não gosta. Pronto: que se enterre de vez o PPDPSD.

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  4. Como? Se os próprios dirigentes do PSD têm passado os dias com a maior verborreia, todos querendo aparecer a marcar posição (e não falo apenas do sr. PPC), como é que os media haviam de ignorar isso? Se ignorassem, os militantes do PSD queixavam-se!

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  5. Errata: escrevi dirigentes quando devia ser, digamos assim, «barões».

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  6. Ah, grandes democratas!14 de outubro de 2009 às 15:50

    "O resultado das legislativas não se limita a traduzir a profunda estupidez com que o eleitorado nacional se comportou".

    Vasco Graça Moura

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  7. Sem uma boa oposição não há um Governo em condições, e neste momento a oposição é uma cáca.

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  8. Com a devida vénia...14 de outubro de 2009 às 18:07

    O maior risco para o actual PSD não é a liderança, mas o medo da liderança. No PSD todos querem, e não querem, ser líderes. Não é a longa lista de entusiásticos dirigentes predispostos a ponderar se serão candidatos a líderes que assusta. A noite eleitoral autárquica mostrou que, no quintal do PSD, não são só os gatos que são pardos. O grande dilema do maior partido da oposição é saber para que é que alguém quer ser líder dele. A velocidade a que têm sido trucidados os últimos líderes do PSD mostra que a cadeira do chefe é um incinerador. O PSD vive obcecado por encontrar um chefe, de preferência com poses de Napoleão, que o guie à vitória. Mas isso não chega. Precisa de ideologia: e isso, claramente, não tem. Necessita de se saber situar entre um PS centrista e um PP que, claramente, vai começando a criar um novo espaço ideológico liberal à sua direita. O PSD arrisca-se, um dia destes, a descobrir o líder ideal e a não ter razão para existir. Por falta de ideias e por falta de seguidores. O partido legado por Sá Carneiro vive hoje uma permanente guerra civil, mas o estranho é que essa batalha campal não tem a ver com ideias muito diferentes. Ela existe entre dirigentes, muitos deles sem ideias. O PSD, que num momento favorável não conseguiu desalojar Sócrates e que viu corroer a sua base autárquica, tem, para continuar a ser o epicentro da oposição em Portugal, de escolher mais do que um líder credível. Precisa de criar uma agenda. Para apontar ideias fortes para Portugal.


    Autor: Fernando Sobral (ex-colaborador do Corta-Fitas)

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  9. Muito bem. Aqui, isso cheira a auto-crítica (mas não aplicável a si, é claro...)

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  10. Espero que realmente se trate do Fernando, e nesse caso daqui vai um abraço e saudades, e acredito que sim porque o comentário é interessante. O que não quer dizer que eu esteja totalmente de acordo com ele. É claro que estamos na fase de bater no PSD e de atribuir todos os males do País à "derrotada" Manuela Ferreira Leite, que não é propriamente responsável pelos últimos quatros anos de governo e pela triste crise em que nos encontramos. Estou de acordo que há muita gente que no PSD mostra pouca vontade de poder e que hesita e recua na hora de dar o passo para a liderança, mas ninguém quer um líder com poses de Napoleão. Nunca vi isso, embora, como em muitos outros partidos e países, haja gente que procura desesperadamente líderes iluminados e "carismáticos" (que eu dispenso). Quanto a ideologia, salvo o PCP e, em menor grau, o Bloco, nenhum partido a tem em Portugal e nem o PS é socialista ou social-democrata, nem o CDS é democrata-cristão, conservador clássico ou liberal. Também está na moda dizer bem de Portas (não sei por quanto tempo...), mas apesar dos bons resultados, tem neste momento quatro vezes menos deputados do que o PSD e uma ou duas câmaras municipais. Estou de acordo que o PSD vai viver momentos decisivos nos próximos meses e que terá que definir que tipo de partido quer ser, que dirigentes escolhe, que política segue. Estarei cá para ver e para tirar as minhas conclusões. É óptimo não depender da política para viver e ter outros interesses na vida.

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  11. Trata-se de um artigo de Fernando Sobral intitulado "Os dilemas do PSD", publicado no "Negócios" e acessível online.

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