quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Por onde andam as "almas gémeas"?

 


Não deixa de ser divertido ver aqueles que há pouco tempo falavam da “cooperação estratégica” entre Cavaco e Sócrates, ou até, os mais excitados, de “almas gémeas”, virem agora, a propósito deste caso das escutas, discorrer sobre a “guerra” entre Belém e São Bento e das “incompatibilidades”, inclusive de personalidade, entre os dois políticos. Se Sócrates fosse reeleito, o que não me parece provável, seria lindo ver o que iria acontecer entre “os dois mais altos dignitários da Nação”, ainda mais quando há que recuperar um país que está completamente de rastos. Se Cavaco algum dia achou que poderia ter “amigos”, ou pelo menos respeito pela seu cargo, entre os socialistas, deve estar bem desiludido. Por outro lado, também achei interessante verificar que os acontecimentos dos últimos dias mostram mais uma vez a inviabilidade do nosso sistema republicano, sejam os presidentes de esquerda ou de direita. Nenhum consegue estar acima dos partidos e é sempre colocado pela opinião pública, justa ou injustamente, na luta partidária, sobretudo em tempos exaltados como os que vivemos. Cem anos depois, é este espectáculo de decadência que a república tem para nos oferecer.





 

8 comentários:

  1. Que raio será dignatários?

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  2. Pronto, já corrigi. Dignitário, segundo o dicionário, é mais correcto. Isto de ser lido por profs de Português é cá uma responsabilidade...

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  3. Calma, que se isto não fosse uma República e Cavaco o rei, teríamos de o gramar até ao dia da sua morte (que espero estar longe, obviamente).

    O bom da República é que sempre dá para escolher outro.

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  4. Caro JHB: Se Cavaco fosse o rei, não era o Cavaco que conhecemos, a realidade era outra e o seu (nosso) relacionamento com ele (ou com a instituição "chefia de estado") era totalmente diferente. Assim vivem os povos mais civilizados da Europa: em paz com a mais alta magistratura do Estado. A luta politica é esgrimida no parlamento e os negócios da governança estão entregues ao 1º ministro.
    Cumprimentos

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  5. O senhor não percebeu, que o mal não está nas pessoas em si, mas no facto de trazerem um passado politico que lhes molda o relacionamento com os governos, conforme sejam da sua cor política ou não.
    É por isso que as Monarquias são regimes mais estáveis e como sabemos, a estabilidade de uma regime é factor essencial para a boa governação.

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  6. Epá, que patetice, por amor da santa.

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  7. Excelente post...vero, bom, profundo, triste..como o fado desta nação!

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  8. O problema não está no sistema, está na população de chico-espertos que temos neste país.

    É que esses nunca acreditarão que existem pessoas que são realmente neutras e conseguem separar as funções que desempenham do resto.

    Em Portugal instalou-se um sentimento de que todos têm uma segunda intenção em tudo o que fazem.

    E desde quando vem isto? começou em 1995....

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