quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Do preconceito e xenofobia

A respeito desta brincadeira do Tiago, apetece-me dizer que também eu tenho os meus preconceitos sobre a estética, usos e costumes, dos mais variados nichos sócio-culturais coexistentes na nossa sociedade. Acontece que não me orgulho deles, nem faço disso alarde: reconheço que por uma questão de insegurança todos tendemos para uma certa xenofobia à qual a minha educação cristã se opõe radicalmente. Além disso a vida ensinou-me a descobrir que as pessoas são muito mais complexas e ricas do que os nossos rótulos e chavões. Mais uma vez, é o medo que sentimos pelo desconhecido que nos condiciona, diminui ou até... inspira ao ódio.


Tive o privilegio de crescer no seio de uma família lisboeta católica e tradicionalista (e culta, convém ressalvar), que nunca me protegeu “do mundo”: desde cedo tive bastante autonomia para enfrentar a rua e fiz a escolaridade integralmente em escolas publicas. Com isso hoje reconheço que ganhei uma privilegiada perspectiva de vida: aprendi que o preconceito e os constrangimentos sociais só nos impedem de ver mais longe, de sermos mais livres. Estou em condições de garantir ao Tiago que uma pessoa é muito mais do que os seus trejeitos e sinais exteriores, e que somos todos muito mais iguais do que aparentamos à vista desarmada. Aprendi isto em casa, com os meus pais e avós, e depois com a vida. 


 

 

6 comentários:

  1. Pois é, vai-se a ver e é por causa da gripe suína.

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  2. Pois é, vai-se a ver e é por causa da gripe suína.

    Ou então desconfiança: os republicanos dão só um beijo quando desconfiam que os poderiam dar a monárquicos, e vice-versa.

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  3. Acho que agora já vai na gripe aviária.

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  4. A questão da quantidade passa-me ao lado e é tão abstruso ridicularizar/criticar quem só dá 1 como quem dá 2 (ou 3, ou 4).

    Presumo que o Tiago seja muito, muito, mas mesmo muito velhinho; é que este jovem arrivista (quase) sexagenário foi ensinado a dar apenas 1 beijo. Enfim, so much for a recent fashion :)

    Relativamente à posta do JT: Um Grande Abraço meu Caro, assim éké!

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  5. João, como bem disse, era uma brincadeira. É claro que não avalio as pessoas pela forma que me cumprimentam. Apenas posso não gostar dessa forma, como não gostamos de tantas outras coisas em todas as outras pessoas :)

    Abraço

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  6. É uma marca de classe social. Dizer isto não significa nenhum preconceito contra as pessoas que praticam a modalidade, se são boas, se são más, etc.. E apenas a constatação de um facto. Ou não é assim? E é claro, mais do que obvio, que uma pessoa é mais do que os seus trejeitos, como diz o João Tavora, nem isso se discute.


    Pedro

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