quinta-feira, 10 de julho de 2008

Este país

Ontem à noite durante mais de uma hora fiz zapping pelas notícias na TV e garanto-te caro Pedro Correia que entre o Canal dois, a SIC Notícias e a RTP N poucas vezes ouvi a palavra nação. Cada um tem o que merece, e nós por cá só temos direito a “este país”. Até a náusea ouvi calamitosas referências  sobre a centenária crise d“este país” num tom de tragédia sem paralelo. Sumidades como Maria Filomena Mónica, Medina Carreira,  Helena Matos,  Marinho Pinto, Gonçalves Pereira, disseram tudo e nada sobre as misérias nacionais, do futebol à justiça, do ensino à economia, de José Sócrates a Salazar, discorrendo um alucinante panorama de horrores e fatalidades. Será que para salvaguardar o "bom nome" deste país, poupamo-lo não o referindo? Será uma questão de pudor, ou simplesmente higiénica?


Perdido por um, perdido por mil; angustiado, apaguei a televisão e pus-me  sossegadamente a ler mais umas páginas  dos diários de João Chagas. Afinal “este país” é uma questão de hábito.

7 comentários:

  1. Olha que o diário do João Chagas não apazigua ninguém, João. Abraço e bom concerto.

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  2. Pois, eu, perante o panorama, optei, Deus me valha!, pelas telenovelas da TV!. Pelo menos não fazem subir a tensão arterial.

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  3. "Nação" é palavra que foi muito usada no passado com fins que não foram muito simpáticos. Isso tornou-a desagradável. O facto de o presente não ser agradável, não puxa muito o seu uso. De facto, é este país que temos. A Nação, essa anda enterrada em páginas do Camões.

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  4. As coisas mudam, João André. Nação é um termo muito em voga no país vizinho. Catalães, bascos e até galegos falam em 'nação' contra o centralismo madrileno. Curioso: ao contrário do que você parece supor, são as forças mais à esquerda que usam com mais frequência este termo. Recordo-lhe, por outro lado, que os movimentos de guerrilha em África, antes do 25 de Abril, se assumiam como nacionalistas e falavam. E diziam-se à esquerda também.

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  5. Caro Pedro, dar o exemplo de movimentos de "libertação" ou de independência não é comparável. Esses são, por definição, movimentos nacionalistas onde o conceito de nação estará mais entranhado. Já o nosso país, há cerca de 800 anos que tem as mesmas fronteiras e a única vez que perdeu realmente a independência isso sucedeu de forma "suave" (a única excepção à regra foi com as invasões napoleónicas).

    Colocar o assunto em esquerda ou direita é indiferente. Foi pelo mesmo conceito que se combateram as guerrilhas africanas, ou não?, para preservar a nação portuguesa. Nesse caso a bandeira era de direita (pelo menos conotada como tal). Por isso mesmo, muitas pessoas talvez tenham algum pudor (não é bem o que quero dizer, mas para já fica esta palavra) em usar o termo "nação".

    Já agora, tal como fiz no seu post original, recordo que um país como a Alemanha apenas puxou dos conceitos mais nacionais de forma mais colectiva apenas no mundial de futebol de 2006, que organizaram bem e onde deram uma boa imagem do país, tanto em termos futebolísticos como de hospitalidade.

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  6. João Távora:

    Disse "(...) de José Sócrates a Salazar"?

    Isso foi um acto falhado ou um "Lapsus Linguae"?

    Mas não deixa de ser curioso, embora se trate de uma regressão... no tempo!

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