Composição: Farinha de trigo, açúcar, gordura de palma, xarope de glucose, água, emulsionante, (lecitina de girassol), sal mineral, levedante químico (bicarbonato de sódio), agente de tratamento de farinha (metabissulfito de sódio) e glúten.Valores nutricionais por 100 g: Valor energético: 1779KJ (421 Kcal) Proteína: 6,8g Glícidos 78,9 g, Lípidos: 8,7g.
Ainda as comprei ao quilo envoltas em farripas de papel, dispostas em caixas de cartão. Naquele tempo, pouco antes do advento dos supermercados, já havia uma variedade enorme de bolachas, em saquetas ou a peso. Vendiam-se numa qualquer mercearia ou charcutaria de bairro. Com recheio, sem recheio, d’Araruta, de Baunilha, Belinhas, Torrada, de Areia, Água e Sal, Línguas de gato, de veado ou da sogra, etc., etc., etc.
Mas as “bolachas” mais “bolachas” de todas; mais saborosas e que porventura eu levaria para uma ilha deserta - juntamente com os meus CDs e livros preferidos - seriam sem dúvida uns quantos pacotes de “bolachas” Maria... (e uns litros de refrigerante para desembuchar, s.f.f.).

Lembro-me em pequeno quando comprava quinze tostões delas na mercearia da Sra. Natália, que m’as aviava profusamente num cartucho de papel pardo. Sabia melhor e satisfazia bem mais do que um rebuscado e módico bolo da pastelaria do Sr. Manel ali na outra esquina. Depois ainda tinha que as comer avaramente, à pressa, num recanto escuro das escadas do prédio, subjugado pela gula - para não ter que as repartir com os meus insaciáveis irmãos.
A Bolacha Maria é uma receita simples de enorme sucesso. Por mais que se inventem mais variedades, bolachas mais finas ou sofisticadas, a previsível Bolacha Maria nunca enjoa, cai sempre bem. Por exemplo, ao lanche sabem tão bem aos pares, com uma redundante porção manteiga de entremeio, acompanhadas com um chá quente ou uma laranjada fresca.
Num mundo pleno de imprevistos, novas experiências, radicais performances, jornalistas de causas, cozinha de fusão ou apenas nouvelle; cheio de modas e novos conceitos, experimentais ou definitivos, novíssimos softwares e hardwares, mais às suas actualizações, online ou offline... é
muito reconfortante saber que existem algumas sensações previsíveis, experiências que não mudam, sabores resistentes e imutáveis.Raios partam esta ingrata dieta... que exacerba o meu apetite, e que mal resiste a uma frugal escapadela... ali ao armário da cozinha.
Oh João, as Maria não engordam!Vá lá à despensa e não se fala mais nisso!
ResponderEliminarEsta Maria serviu muito cá em casa. Mas, a sério, pensava que a manteiga entrava na composição...
ResponderEliminarAbraço
Bolas... estou velho, também me lembro das caixas (creio que de 2.5Kg) com as farripas de papel. Creio que os regulamentos não permitiriam tal coisa hoje.
ResponderEliminarBoa memória e boa crónica!
Virgilio
Esta Maria também serviu em casa do senhor Villalobos?
ResponderEliminar- Oh Teresa, como é que pensa que eu transcrevi a composição das bolachas?
ResponderEliminar- Sim Paulo. A minha mãe também me dizia isso. Mas prova que é bom: barra um pouquinho só de manteiga meio-sal numa bolacha e põe-lhe outra em cima.
- Muito frio aí em Moscovo Virgílio?
Ainda é só um ar fresco (-9Cº)!
ResponderEliminarEstas bolachas eram o acompanhamento ideal para o chá de cidreira que todos nós bebíamos antes de dormir, como receita caseira para um sono repousado.Eram-nos fornecidas nessas mesmas caixas :),pela minha avó, que tinha uma mercearia.
ResponderEliminarPelos relatos maternos, soube que o meu prato preferido era bolacha Maria esmagada com banana;fiquei a saber o porquê daquele bebé gordinho que hoje vejo nas fotografias :)
P.S.Mas, João, não acho que tivesse sido gordinha por causa das bolachas ;é que nessa altura eu comia tudo que me pusessem na frente :)
ResponderEliminarCom manteiga no meio e um cházinho a acompanhar... ainda hoje faço dessas.
ResponderEliminarAgora desculpem, mas no que respeita a bolachas a granel não há nenhumas que batam as bolachas baunilha da Triunfo. Costumava comprá-las na Lina Carvoeira e ainda não tinha passado do escuro da loja para a luz do dia e já estava a separá-las para lamber o recheio.
Belo retrato barrado com nostalgia e um chazinho...
ResponderEliminarCristina: O engodamnh das bulhachas maías é chaudavélmnh. :-)
ResponderEliminar:)
ResponderEliminarTem razão, João. Olhando essas fotografias, vejo alguém saudável e feliz.
Olá João
ResponderEliminarLi agora o seu post e lá tive que ir buscar umas bolachas Maria... Abriu-me o apetite!
Caro João, posso assegurar-lhe que não engordam. O que engordam são os hamburguers, as batatas fritas e os molhos... se as deliciosas Maria engordassem eu era obeso e os meus filhos também. Belo tributo!
ResponderEliminarCaro João Távora:
ResponderEliminar3 apontamentos:
- excelente texto: é cada vez mais raro encontrar-se qualquer coisa de diferente neste mundo cibernáutico.
- experimente o queijo em vez da manteiga, vai ver que não se arrepende; por mim, prefiro-as "afogadas" em leite com chocolate ou café :-)
- infelizmente, a qualidade da bolacha Maria está "decadente"; experimente-se comprar uma dezena de marcas aleatoriamente: se 2 delas resistirem a um palato exigente será muito bom.
Um abraço,
Rui