Por uma vez, aqui no Corta-fitas afirmo: NÃO concordo com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.
Por uma questão de princípios, não consigo deixar de me chocar com a despenalização de um acto que, com mais ou menos atenuantes, considero criminoso. Mais, receio pela herança que vamos deixando aos nossos descendentes: um mundo em regressão civilizacional que vai cedendo paulatinamente ao relativismo individualista e ao novel moralismo hedonista.
Sendo estas as minhas convicções, jamais me demitirei dos meus direitos e obrigações de cidadania.
Mas não aqui no Corta-fitas. Pareceu-me do elementar bom senso não fazer deste meu privilegiado espaço de comunicação partilhado um campo de batalha de uma questão tão sensível.
Mas estarei aqui em frente, noutra praça pública, no blog do não, um projecto de um conjunto de cidadãos livres e conscientes - a maior parte bem conhecidos da blogosfera. Assim, convido desde já, adversários ou partidários, a visitarem-nos regularmente, para uma sã e democrática discussão onde esperamos prestar sempre homenagem à inteligência e à civilidade.
Finalmente. Vou ver o tal Blog.
ResponderEliminarCaro João Távora,
ResponderEliminarPor convicção sou contra o aborto pois acredito que não devemos ser nós, homens, a decidir sobre quem deve ou não viver, razão pela qual também sou e serei contra a pena de morte.
Questão diferente é a criminalização da interrupção voluntária da gravidez.
Não posso conocordar que uma mulher seja tratada como uma criminosa e se sente no chamado banco dos Réus só pelo facto de não conseguir criar um filho e optar pelo aborto.
É por isso que votarei a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez afirmando, sempre, que sou contra o aborto, são duas coisas completamente diferentes.
Esperemos que na campanha que antecede o referendo estas duas realidades não se confundam como no se confundiram no anterior
A criminalização do aborto é um tema que por si só merece um referendo. A despenalização do aborto até as 10 semanas é a "desculpabilização" da pior e mais desumana forma de planeamento familiar que já conheci. Concordo com o "separar das águas" apenas não nos moldes que apresentou.
ResponderEliminarQual referendo, qual carapuça. As leis fazem-se ou não, na Assembleia da República. Numa altura de crise vamos gastar uma fortuna num referendo, ao qual a maioria não vai participar. O aborto podia perfeitamente ser discutido e legislado na AR.
ResponderEliminarPara antonio correia novais:
ResponderEliminarmeu caro, li que é contra a pena de morte. Nos dias de hoje esse moralismo está ultrapassado. Não, não sou louco. Até sou católico. Mas fiz um inquérito personalizado a 48 pessoas. 32 homens. nas zonas de Lisboa, Porto e Coimbra. Com duas questões.
1ª É a favor ou contra a pena de morte?
80% responderam que eram contra.
2ª questão - Se tiver uma filha com 4 anos de idade e se um fulano a raptar e a violar SEXUALMENTE o que é que fazia ao criminoso?
99% dos inquiridos responderam: MATAVA-O!
pedro lencastre
ResponderEliminarfoi das melhores coisas que li nos últimos tempos. você com esta posta diz tudo, põe-nos a pensar na realidade e na verdade a realidade é essa. Eu faria o mesmo se algum tipo violasse a minha filha, matava-o. Quem é contra a pena de morte são os demagogos de meia tigela, eles que tenham a coragem de responder à sua questão e veremos
Pedro Lencastre e Luísa precisam de reflectir um pouco sobre o que escreveram e o que pensam.
ResponderEliminarDe facto, o mais provável é que, cada um de nós, vítima de uma situação como a descrita, envolvendo designadamente filhos, sentirá esse impulso de, se puder, matar os responsáveis.
Eu senti o mesmo quando há muitos anos à 1 hora da manhã fui assaltado e agredido por quatro «mânfios» numa estação deserta da CP na Parede.
Mas o que Pedro Lencastre e Luísa precisam de fazer um esforço para entender é que a organização e poder coactivo das sociedades não pode basear-se numa espécie de mimetismo em relação aos compreensíveis impulsos individuais
de cada um de nós.
A propósito disto nunca me esqueço
do espantoso erro cometido por Francisco Louçã quando, há uns anos, aceitou participar num debate televisivo em que fazia o papel de oponente ao pai da jovem assassinada pelo «gang» do multibanco.
Ele - Louçã - com a sofreguidão mediática que o caracteriza, não percebeu que não havia nada para discutir com o magoado e revoltado pai da filha cruelmente assassinada.
Porque não há debate decente entre a respeitável dor e raiva individual e critérios de conformação estatal da justiça que tem obrigação de ponderar as questões mais pelo lado civilizacional e racional.
Caro Pedro Lencastre,
ResponderEliminarAs questões criminais têm que ser discutidas em abstracto e não caso a caso.
Estou totalmente de acordo com a opinião de Júlio Almeida Freire. É uma questão muito sensível e não pode ser analisada com base em casos pontuais, pois tal como posso perguntar a alguém o que faria se alguém matasse o seu filho, também poderia perguntar se continuaria de acordo com a pena de morte se o assassino fosse o seu filho.
ResponderEliminarAinda em relação à questão do aborto, subscrevo o que António Correia Novais afirmou.
«conjunto de cidadãos livres e conscientes ...»
ResponderEliminarSERÁ QUE SIM?
Na sua excelente reflexão (que subscrevo plenamente) o Júlio Almeida Freire diz tudo. Se a mãe que mata o assassino do seu filho tem de passar pelo banco dos reús, porque é que a mãe que mata o próprio filho poderá não o fazer? Além disso não falamos aqui apenas das mães, mas também dos abutres que já voam em círculo sobre as cidades portuguesas.
ResponderEliminarManuel Arriaga e Cunha fez confusão : eu reportei-me às estritas observações feitas por dois visitantes sobre a pena de morte. Eu não estava a falar do aborto e esclareço que sou a favor da despenalização do mesmo até às 12 semanas por decisão da mulher.
ResponderEliminarEssa lei não «mata» ninguém e nestes minutos, nalgum sitio de Portugal, há de certeza um aborto clandestino a ser feito mas PARECE QUE OS DITOS «DEFENSORES DA VIDA» A ISSO JÁ ESTÃO HABITUADOS E PORTANTO NÃO LIGAM.
Vocês têm o direito a pensar como entenderem. Por isso são livres. Mas o meu exemplo foi apenas para enraizar o meu pensamento: sou a favor da pena de morte. Há casos CRIMINAIS que não merecem outra coisa.
ResponderEliminarPelos vistos, Corta-fitas devia colocar à discussão a pena de morte e não o aborto. Viram quantos post cairam no blog assim que se falou em pena de morte? Mais uma vez ficou provado que aqueles que defendem a pena de morte não têm a coragem de vir à colação
Muito bem João Távora. Tomou a posição politicamente incorreta, num lugar público. Isso é indispensável fazer-se em força e em número porque como sabe, Porugal é, infelizmente, um país de pessoas volúveis, que não sabem destinguir o bem do mal, a verdade da mentira, a responsabilidade e a irresponsabilidade. E a mentira ea irresponsabilidade são muito mais publicitadas do que o bem. E muito mais faceis de seguir. "Relativismo individualista e ao novel moralismo hedonista." Exatamente. E eu acrescento, um tremendo EGOÍSMO e lavar-de-mãos.
ResponderEliminarJúlio Almeida Freire: Não fiz confusão, não. Está muito enganado. O que me faz realmente confusão é existir quem ataque tão eloquentemente a pena de morte e em paralelo defenda que podemos matar os nossos próprios filhos.
ResponderEliminarSenhor Arriaga e Cunha :
ResponderEliminarPostas as coisas nos termos em que pôs, era mais coerente que o senhor e os que pensam como o senhor passarem a defender abertamente que as mulheres que praticarem aborto, em vez de condenadas a três anos de prisão, passem a ser condenadas até 18 anos de reclusão que julgo ser a pena para homicidio premeditado e deliberado.
E já agora, por uma questão de coerência, têm também de reclamar a revogação da lei em vigor quanto à exclusão de ilicitude em matéria de violação e de malformação do feto, etc.
O pior que lhe pode acontecer é descobrir um dia que uma sua familiar ou amiga também já abortou, ali em Espanha ou aqui em Portugal através da ajudas e contactos boca a boca (honny soit qui mal y pense)entre mulheres.
"...uma mulher seja tratada como uma criminosa ..."; "a mãe que mata o próprio filho..."; "...as mulheres que praticarem aborto..." e ainda"...uma sua familiar ou amiga também já abortou...". Então mas sou só eu ou há aqui um claro esquecimento dos Papás?? Eles Não têm nada a ver com o assunto, será? O filho não é deles também? O Futuro papá não deve ser perdido nem achado nesta temática?? Eu se fosse Homem, estaria preocupadíssimo por me estarem a obliterar completamente os meus direitos de paternidade.
ResponderEliminarNão posso concordar consigo. O que esta em causa é: deverão as mulheres abortar escondidas ou legalmente? Assim deveria ser a pergunta, porque é isso o que se passa.
ResponderEliminarSomos, segundo Gonçalo Ameal, um "País de pessoas volúveis, que não sabem distinguir o bem do mal". E eu acrescento: que seríamos de nós, pobres tontos, presas do mais abjecto "moralismo hedonista", se não existissem pessoas como o senhor para nos passar displicentemente a mão pela testa e talvez, com paciência, ensinar a pensar...
ResponderEliminarSr. Almeida Freire. Faço notar que todas as palavras, sentimentos, opiniões ou decisões (em nome da coerência) que o sr. pôs na minha boca são da sua autoria e não da minha.
ResponderEliminarFora isso, resta-me remete-lo às suas próprias palavras que, volto a afirmar, dizem tudo de forma muito clara: "...a organização e poder coactivo das sociedades não pode basear-se numa espécie de mimetismo em relação aos compreensíveis impulsos individuais de cada um de nós...
...critérios de conformação estatal da justiça que tem obrigação de ponderar as questões mais pelo lado civilizacional e racional".