quinta-feira, 20 de julho de 2006

Detestar o rei

A propósito dos posts que o Pedro Correia escreveu aqui sobre o livro de Vasco Pulido Valente sobre Paiva Couceiro, e já agora da interessante entrevista que ele fez no DN ao autor, a determinada altura o Pedro refere que o biografado era monárquico, mas detestava D. Manuel II. Para muitos isto pode parecer contraditório, mas para mim não. Aliás, creio que grande parte dos equívocos dos republicanos sobre o sistema monárquico residem aí. Eu posso acreditar nas virtudes da monarquia, mas não gostar do rei ou achar que ele tem poucas qualidades pessoais. Ou até detestá-lo. A monarquia constitucional tolera tudo isso. Muitos ingleses não gostam do principe Carlos, mas poucos põem em causa a monarquia por causa disso. Assim como os republicanos que detestavam Salazar e Américo Tomás não punham em causa a república. E os republicanos russos não quiseram a volta da monarquia por causa de Stalin. E os republicanos alemães não o fizeram por causa de Hitler. Nem os chineses por causa de Mao Tse Tung. E saindo do mundo dos ditadores republicanos que fizeram do século XX o mais sangrento da história, quantos presidentes democraticamente eleitos são detestados pelos que não votaram neles?
(Já agora, para que não surjam equívocos de outro tipo, eu gosto muito de D. Duarte de Bragança e acho que ele daria um bom chefe de Estado, coisa que quase nunca tivemos desde 1910.)

13 comentários:

  1. Acabo de conhecer a sua faceta de monárquico. Viva a República!

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  2. Sofia Loureiro dos Santos20 de julho de 2006 às 12:25

    A diferença é que o rei nos é imposto e o presidente é escolhido por nós. Parece-me uma diferença significativa...

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  3. Real, Real, Real, viva el-Rey de Portugal.

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  4. Cara Sofia Loureiro dos Santos,

    Eu sou contra qualquer imposição, seja na república ou monarquia. Mas o que o século XX prova é que a república nos deu muitos presidentes "impostos" na Europa, enquanto a monarquia, que me lembre, não deu nenhum rei-ditador. Aliás, basta ver que os países europeus de maior tradição e tolerância democrática são monarquias (os escandinavos, holandeses, ingleses, etc) e os seus povos não querem outra coisa.

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  5. ai duartinho, duartinho, meu jovem monárquicozinho. defender a monarquia, pronto, ainda vá. mas que outro o duarte desse um bom chefe de estado já é um pouco too much, não?

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  6. Fernandinha, Fernandinha, tantos preconceitos...Não sei se o conheces pessoalmente, mas se o conheceres verás que é uma pessoa cultíssima,inteligente, tolerante, bem educada, que não diz mal de ninguém, que gosta profundamente de Portugal, que detesta "cagões" que lhe vêm com origens nobliárquicas, que tem coragem para defender o que acredita, mesmo quando isso lhe é inconveniente (como foi o caso de Timor, quando os nossos políticos andavam a fingir que não viam). Mas, sobretudo, foi educado para ser rei e nunca deixaria que preferências políticas ou antipatias pessoais afectassem o exercício do cargo de chefe de Estado. Ou seja, o contrário do que aconteceu na nossa triste e decadente república.

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  7. Concordo plenamente...estaríamos melhor com uma Monarquia Parlamentar!! Só o que poupávamos em eleições de 5 em 5 anos dava para resolver alguns problemas...

    Já agora, em relação à liberdade de escolha numa República...temos mesmo a liberdade de escolher quem quisermos, ou temos a hipótese de escolher entre um pequeno e restrito grupo de candidatos que são indicados pelos partidos políticos?? É que sinceramente, aqueles que nos "dão" para escolher nem sempre são boas hipóteses!! Muitas pessoas com certeza que votam no menos mau, ou votam contra um dos candidatos...não sei, digo eu!!!

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  8. Caro Duarte,

    Pelo "nick" não vais lá, mas há pouco tempo, numa prova/almoço em Carnaxide, éramos os dois únicos monárquicos (já estás a ver quem sou?)
    Em tempos (a propósito da campanha eleitoral para a Presidência da República), tive uma discussão semelhante a esta com o meu colega de blog. Escrevi na altura isto

    http://revisao-da-materia.blogspot.com/2006/01/rever-constituio.html

    e isto

    http://revisao-da-materia.blogspot.com/2006_01_01_revisao-da-materia_archive.html

    Se quiserem copiar os links e dar uma espreitadela, acho que vão encontrar alguns argumentos válidos para a questão. Perdoe-se, nos textos, alguma possível truculência motivada pelo calor da discussão.

    Abraço

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  9. Peço desculpa por incomodar mais uma vez, mas o segundo link remete para o arquivo geral do blog. O link correcto é este:

    http://revisao-da-materia.blogspot.com/2006/01/majestade.html

    Grato ao "blog author".

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  10. Sedóna f. pensa (?) que o Senhor Dom Duarte não daria um bom Chefe de Estado. Sedóna f. nunca reparou na galeria de marretas e trogloditas que tivemos como presidentes da república. A saber ler e escrever assim-de-seguidinha só Teixeira Gomes e Mário Soares. Nem mais. O resto, um bando de indigentes mentais. Sedóna f. nunca reparou na história de Portugal. Sedóna f. procura a glória mas cai no insulto fácil.
    As melhoras

    esteves-sem-metafísica

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  11. Obrigado ao padeiro de serviço e ao el ranys (claro que já sei quem és) pelos comentários. O velho argumento republicano de que "qualquer um pode ser presidente da república" é uma das maiores falácias que eu conheço. "Só" têm que fazer carreiras políticas praticamente a tempo inteiro, deitar abaixo uns tantos adversários, conseguir apoios de todo o tipo (muitas vezes estabelecendo compromissos com pessoas que o eleitorado desconhece, coisa de que um rei está dispensado), organizar uma campanha milionária, fazer equilíbrios estranhos para conseguirem reeleger-se, etc.
    Ainda não tive tempo de ver a tua discussão, Ranys, mas assim que puder vou fazê-lo, até porque sei que és um monárquico como eu, por motivos políticos e não por patetices "sociais"

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  12. Mas, como estamos em Democracia, podemos optar por um outro rei... Não é obrigatório que sejo o Duarte... Há alternativas bem reais...

    http://paramimtantofaz.blogspot.com/2006/07/portugal-pode-ter-rei.html

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