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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Curta crónica duma grande campanha

Tenho que aqui confessar, a par do sentimento de alívio de ver destituída a ruinosa troupe de José Sócrates, uma certa desilusão com os resultados do CDS: sem grandes euforias, eu esperava a eleição de mais dois ou três deputados, nomeadamente em Leiria e no Porto.
Este desfecho releva-nos para algumas realidades que julgo serem incontornáveis: a tendência bipolar do sistema político nacional, as débeis estruturas territoriais dum pequeno grande partido como o CDS, e Last but not least, a sua matriz suportada em honrosas Causas tendencialmente minoritárias: historicamente os sólidos valores cristãos nunca granjearam grande popularidade.  Definitivamente o sufocante Centrão não é o nosso espaço.
Reitero no entanto aquilo que aqui afirmei há dias: dadas as circunstâncias, fez-se uma espantosa campanha eleitoral… e o partido conta com um grupo parlamentar com valores de excelência. Os meus parabéns e votos de coragem a todos, que a hora é de pôr mãos à obra para recuperar Portugal.


 


Em estéreo

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A hora da verdade

Está a chegar ao fim uma das mais determinantes campanhas eleitorais de sempre, cujos resultados, embalados pelo trágico destino a que o país foi conduzido, apontam para uma decisiva mudança de rumo. Nesse sentido, tudo indica que o CDS obtenha um resultado histórico e para tal empresa seja chamado a contribuir.
Para lá do capital de experiência exibido por Paulo Portas que genericamente se distinguiu por um discurso sereno e confiante, contruiu para este sucesso, uma luxuosa equipa de candidatos ao parlamento, enquadrados por muito voluntarismo e gente de inquestionável qualidade profissional e humana, que há muito vem desbravando o seu caminho. Apesar dum orçamento limitado, estou certo que os frutos desta campanha reflectirão uma lição de eficácia.


Finalmente é de registar que tudo isto aconteceu sem que o partido cedesse à domesticação ideológica e à tentação do “politicamente correcto”. O património ideológico conservador, personalista e cristão foi afirmado e preservado, o que prova que os valores de direita não são impedimento ao crescimento. É que o “povo” saberá sempre reconhecer o rasto à verdade, cujo valor é definitivamente o mais fiável. Mais ainda perante os ciclópicos desafios com que a pátria em breve se confrontará. Mas isso já é outra conversa: a cada dia basta a sua pena. 

Passa palavra!


 


Em Leiria, ao votar CDS também se dá força ao PSD, tirando um deputado ao PS!


 


(O mesmo acontece em Setúbal!)

terça-feira, 31 de maio de 2011

(In) fidelidades

O problema não está no Estado ou no mercado, mas numa deficiente interacção entre os dois. E é por isso, para terminar, que ouvir Paulo Portas dizer que está “à esquerdado PSD nas questões sociais” é decepcionante. Quanto mais precisamos de um novo discurso, mais o antigo sobrevive em quem menos se espera.




Além disto que hoje refere Pedro Lomba hoje na sua crónica do Público, parece-me que a irreflectida declaração de Paulo Portas subentende a cedência “de bandeja” dos valores solidários à esquerda. Um disparate, ou chamem-lhe um tiro no pé, que só o jornalismo regimental, venerando e obrigado não dá conta.
De resto, e a propósito de algumas reacções esdrúxulas às minhas inquietações sobre o perfil de Pedro Passos Coelho aqui manifestadas ontem, quem me conheça saberá que eu não subjugo a minha liberdade critica a nenhuma agenda política. De resto, estou convencido que os blogues são inúteis como murais de propaganda dogmática e os seus escritos pouco eficazes como caixa-de-ressonância dos slogans partidários. O seu público-alvo é criterioso e informado, consultando-os na procura de nuances e subtilezas argumentativas que contribuam para melhor interpretação da realidade. É esse pelo menos o meu critério de escolha.
Finalmente, quanto a fidelidades incondicionais, na minha vida só alimento uma, a qual como católico praticante será fácil de adivinhar.

Uma questão aritmética, uma causa patriótica

 


(...) É essencial que o CDS-PP consiga eleger novos deputados em Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Setúbal, consiga reforçar a sua presença parlamentar em Santarém, Coimbra, Faro, na Madeira, em Viana. Consiga eleger novos deputados nos Açores, na Guarda, em Vila Real. Estes deputados são todos tirados ao Partido Socialista. E não são assim tão poucos, são muitos. Se nós não elegermos, quem elege é o PS. 

Faltou referir o caso de Leiria, que vem bem demonstrado no estudo do Expresso do passado fim-de-semana, Dr. Portas! (Em entrevista ao jornal i)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um caso chamado Passos Coelho

 


Tenho para mim que o principal objectivo das eleições do próximo Domingo será atingido: evitar que a missão de resgate do país seja atribuída ao protagonista da sua consumada ruína.


O meu optimismo esbarra no entanto com um terrível receio de que Passos Coelho não possua arcaboiço para liderar a dramática e complexa empresa que se iniciará na segunda-feira, e que num fósforo porá à prova a sua firmeza e liderança, capacidade de motivar, gerar consensos e de enfrentar com firmeza as corporações conservadoras, os sindicatos avessos à mudança, e uma comunicação social sedenta de sangue, porque histórica e culturalmente comprometida com a quimera socialista.
É fácil reconhecer-se agora como foram injustificadas as acusações em tempos assacadas a PPC deste ser um produto comunicacional, muita parra e pouca uva ao pior estilo de José Sócrates. Antes pelo contrário: o actual líder do PSD gere uma frágil imagem, um discurso atabalhoado na forma e no conteúdo, sempre atrapalhado com as palavras que não conseguem explicar os estapafúrdios argumentos soprados aos seus ouvidos por uma trágica assessoria.
Insisto, voltando à ideia com que iniciei este texto: a destituição de José Sócrates parece-me irreversível e será sempre uma boa notícia a 5 de Junho. Para sossegar o meu espírito inquieto, dir-me-ão os meus amigos sociais-democratas que um bom comunicador não é obrigatoriamente um bom governante. Mas se isso é verdade, certo é que o próximo executivo enfrentará um duro combate e exige uma liderança forte de excepcional desembaraço e carisma, qualidades que Pedro Passos Coelho tarda em revelar-nos. 


 


Em estéreo

quarta-feira, 25 de maio de 2011

From Coimbra with love

 


A manifestação estudantil ontem em Coimbra afrontando um comício comunista em protesto contra a propaganda da CDU pintada na escadaria monumental da universidade, constitui um irónico sinal dos tempos. Pensando melhor talvez não. Afinal, quem, senão a juventude inconformada para confrontar a força política mais esclerosada do panorama português com as suas práticas.


 


PS: sei que este post contraria uma moda muito em voga de complacência para com o PCP, hoje maioritáriamente um reduto de osbtinados velhinhos nem sempre estimáveis. O facto de ter "história" e ser decadente não deveria conceder essa espécie de estatuto "aristocático". Para ter "história" basta existir. Só a falta de memória ou ignorância permite essa complacencia por um partido de génese tirânica que fez demasiado mal a demasiadas pessoas...  


 


Imagem daqui

terça-feira, 24 de maio de 2011

Agir local, pensar nacional

Há pouco no carro, a uma hora em que pouca gente a escuta, vinha eu a ouvir um interessante debate dirigido pela Maria Flor Pedroso na Antena 1 entre os cabeças de lista de Braga ao parlamento, em que os argumentos eram esgrimidos em função da realidade do distrito. Esta boa experiência vem reforçar a minha ideia da importância regeneradora das “campanhas localizadas” que decorrem à margem do “grande público” para os diversos círculos eleitorais e que põem os candidatos a deputados, a sua inteligência, acutilância e imaginação, em contacto directo com os seus eleitores. Para um parlamentarista como eu, é especialmente grato constatar uma focagem assim alternativa às inevitáveis campanhas dos líderes nacionais, cujo estilo e guião a duas semanas das eleições já se vão tornando num ruido estafado. 


De resto, em termos de Comunicação, atraem-me estratégias elaboradas sob esse princípio democrático da proximidade, como aqui referi, com base no excelente exemplo da campanha do círculo de Leiria do CDS, tão bem testemunhado no seu diário eficazmente difundido pelas redes. Acredito que uma boa parte dos candidatos à Casa da Democracia, por mérito próprio mereceriam muito mais atenção dos seus eleitores. Mas para que se promovesse no eleitorado uma perspectiva assim revitalizante da política, era necessário que a Comunicação Social emendasse alguns critérios editoriais, coisa infelizmente pouco provável tendo em conta a sua matriz conservadora, para não dizer outra coisa.


 


Em estéreo 

domingo, 22 de maio de 2011

Novas oportunidades: PS paga apoiantes


 


Imigrantes provenientes da Índia e Paquistão, trabalhadores nas lojas do Martim Moniz, Lisboa, e na construção civil seguem José Sócrates para todo o lado, de norte a sul do País, em autocarros pagos pelo PS. São usados para compor os comícios, agitar bandeiras, e puxar pelo partido, apesar de muitos deles não perceberem uma palavra de português e não poderem votar. Em troca têm refeições grátis.


 


Ler mais Correio da Manhã 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Ler os outros

 


(...) Ao falar como falou de Portas, Fernando Nogueira deu-lhe palco e avalizou a sua candidatura de terceira via a primeiro-ministro, que, como muitos sabem, não passa de uma estratégia de marketing eleitoral muito bem montada. Nogueira deu-lhe a peça que faltava no seu puzzle: credibilizou essa hipótese, falando dela, diabolizando-a, mas no fundo deixando bem à vista um certo recalcamento por tudo o que Portas lhe fez enquanto director d' O Independente nos idos dos anos 80 e 90.(...) Francisco Almeida Leite no Delito de Opinião

Clareza, objectividade e perceptibilidade

(...) O Manifesto do CDS não pode considerar-se um programa global e coerente de governo, próprio de um partido que esteja a preparar-se para o liderar. Ele é mais um conjunto coerente e agradável de ideias para serem levadas para um governo de coligação, com destaque naquelas matérias onde provavelmente o CDS pretende reservar lugares e posições. Ideologicamente, é um programa conservador, com forte presença dos inevitáveis vestígios da democracia-cristã e laivos de algum liberalismo económico. Mas o resultado final é, apesar de tudo, positivo. Na integra »»»




Rui A. no Blasfémias

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tocar a rebate

Pelo que me é dado observar por amigos meus, mas principalmente por algumas declarações públicas, como a de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI ou hoje de Fernando Nogueira, o debate televisivo entre Paulo Portas e Passos Coelho teve uma tão imprevisível quanto benigna consequência:  um toca a reunir das até hoje displicentes hostes sociais-democratas: num saudável assomo de amor-próprio, levantam agora a voz indignada contra o populismo e a egolatria do dirigente centrista. 
Pela minha parte, espero que as duas partes recentrem quanto antes as suas atenções no verdadeiro adversário, que é José Sócrates, o partido socialista e ninguém mais. Parece-me que aqui chegados, quando descobrimos um PSD resgatado às suas raízes socialistas e convertido a uma salutar estética liberal, se torna evidente que o centro direita em Portugal deveria falar claro e a uma só voz
E porque os sinais que as sondagens indicam são verdadeiramente trágicos, desvendado um país alucinado que se prepara para reeleger os irresponsáveis que trouxeram o país à bancarrota, é urgente que as lideranças do CDS e do PSD se concentrem no que é essencial: em terrenos que não conflituam os seus interesses mutuos, disputando os votos aos socialistas e à abstenção. Porque o meu CDS é um partido de convicções e valores, não um partido de charneira ou populista, é impensável concebe-lo avassalado numa aliança com José Sócrates. Por tudo isto, penso que é chegada a hora do partido recentrar a sua luta nesse adversário. Sem demagogias e pelo resgate da nossa Pátria, que a empresa é incomensurável.


 


Em estéreo

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Resolver em três anos o que não se resolveu em trinta

(...) Em meras 34 páginas, o memorando propõe-se resolver todos os problemas do país: as ‘golden shares', as empresas públicas, o abandono escolar, a sustentabilidade do sistema de Saúde, as margens de lucro das farmácias, a lei das falências, a morosidade do sistema de Justiça, a rigidez do mercado laboral, a negociação colectiva, a anemia do mercado de arrendamento residencial, a ineficiência da administração fiscal, o mercado energético e até mesmo o ordenamento administrativo do território (suprimindo concelhos e freguesias). Ou seja, propõe-se resolver em três anos todos os problemas que não foram resolvidos em trinta.   (...)

Luciano Amaral no Diário Económico.
 


Na minha modesta opinião, nesta campanha eleitoral os partidos signatários do memorando  deviam estar cingidos  a explicar ao eleitorado, tintim por tintim, como resolver este imbróglio. Para não levantarem voo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Uma receita para o sucesso

Infelizmente são raros os debates televisivos que reflictam alguma seriedade nos argumentos e originalidade nas ideias, muito por causa dum voluntarismo excessivo ou cega adesão a uma qualquer “narrativa” partidária por parte dos adversários. Acontece que o programa Contraste na SIC Notícias às terças-feiras é um caso excepcional, pelo empenho dos seus protagonistas Francisco de Assis e Nuno Morais Sarmento: apesar de aceso, este costuma ser um debate esclarecedor e civilizado. No entanto ontem, um convidado especial, o João Galamba, com a sua apurada técnica trauliteira e os seus típicos esgares alarves, conseguiu entornar a conversa. Alguém tem que dizer a alguns políticos da nossa praça que essa estratégia de confronto, indispõe as pessoas de bem, apela a instintos básicos e só é tolerada pelas suas próprias hostes, já convencidas. Enfim, é má propaganda. Parece-me que, tendo em conta a situação do País que amedronta qualquer português minimamente informado, a credibilidade e o sucesso da mensagem política advirá não só dum discurso claro e sóbrio, mas também razoavelmente cortês. E... na televisão, tenham cuidado com as caretas de desdém. 


 


Em estéreo

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ainda o voto útil

 


Acho profundamente errado que o PSD e o CDS acendam entre si demasiado o despique eleitoral, correndo o risco de se desfocarem do principal alvo a abater, o protagonista do criminoso descalabro a que o país chegou. De resto, o apelo ao voto útil que vem sendo apregoado pelas hostes sociais-democratas incorre num pequeno grande equívoco: para a obtenção duma maioria absoluta à direita é de extrema importância o CDS ultrapassar a barreira dos 16% de votos, momento em que por causa do método de Hondt a proporcionalidade da eleição dos deputados sobe significativamente. Dir-me-ão alguns dos meus amigos que estas contas não garantem a deposição de José Sócrates. Pois é verdade, pensassem nisso mais cedo: com o mesmo método de Hondt, uma aliança pré eleitoral teria sido bem mais eficiente para a tal desígnio, mas essa oportunidade já caducou. 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A quem de direito

 


Se é desastrosa uma governação subjugada à propaganda, é desavisado a disputa dumas eleições menosprezando as suas regras. Não é tempo de ingenuidades, amadorismos ou exprimentações.  

Justiça e povo: um divórcio perigoso

O Supremo Tribunal espanhol decretou que pessoas que atravessassem a fronteira numa zona onde não existissem «barreiras físicas» não poderia...